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Um café por dia não sabe o bem que lhe fazia

Os estudos sobre os efeitos benéficos e prejudiciais do consumo de café são vários. Desde o facto do café poder ajudar a prevenir o surgimento de doenças neurodegenerativas e até mesmo de melhorar o controlo motor, atenção e níveis de alerta. Mas também de levar a causar problemas cardiovasculares ou gastrointestinais, principalmente se ingerido de forma mais descontrolada. E fiquem tranquilos aqueles que pensam que eu vou dizer que o consumo de café tem alguma coisa a ver com o autismo!


Já não será novidade para muitos que o projecto da IPSS VilacomVida de nome Café Joyeux abriu as suas portas esta semana na Calçada da Estrela 26. Têm sido muitas as republicações e felicitações a um projecto que emprega pessoas com Trissomia 21, Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental e Autismo. Além do objectivo de formar uma equipa com estas condições e depois celebrar um contrato sem termo. O projecto visa trazer para a Sociedade uma visibilidade importante e necessária de que as pessoas com deficiência podem e fazem parte do mercado de trabalho.


Certamente que muitos de nós estarão felizes com esta iniciativa, copiando de forma interessante o nome do próprio projecto Café Joyeux. Contudo, será fundamental que todos nós possamos dar o nosso contributo no quotidiano para este projecto e respectivos trabalhadores. Mas também no nosso quotidiano quando contactamos nas escolas com pessoas com deficiência. Sejamos professores e que sentimos poder ter maior dificuldade em lidar com determinados desafios colocados por alguns destes alunos no processo de ensino aprendizagem e relacional. Ou então colegas e que não sabemos o porquê do nosso colega fazer este ou aquele comportamento. E ao invés de o gozar ou colocar de parte, poder ao invés procurar junto dele ou dela como é que poderíamos compreender. E também no nosso local de trabalho quando temos colegas que de uma forma visível ou não, mas que possa apresentar determinadas características que sentimos algum desconhecimento ou desconforto. Podermos pensar que essas nossas dificuldades podem ser ultrapassadas se procurarmos junto da pessoa compreender as mesmas e indubitavelmente aceitar a diversidade.


Tal como o café e que é cultivado em diferentes países e com diferentes sabores. Já para não falar das diferentes formas como o podemos fazer. Assim somos todos nós. Provenientes de diferentes contextos culturais e com diferentes formas de pensar e sentir. Mas certamente com uma forma de ser particular e que importa respeitar.


Será importante revalidar todos os dias o nosso esforço, o de todos, pelo respeito pela diversidade. Nesta altura já não deveríamos andar a celebrar a abertura de mais este projecto, mas sim viver esta experiência com a maior das naturalidades. Ainda não é o caso, mas podemos chegar lá. Tal como aqueles que a determinada altura dizem com toda a sua certeza que nunca haverão de beber um café sem açúcar. E que ao fim de determinado tempo aprendem a desfrutar a essência do verdadeiro sabor a café.


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