Todas as vidas importam

Muitas vez, nós psicólogos, sentimos que devido à nossa própria actuação profissional junto do outro, independentemente da área em que o façamos, ficamos "isentos" da nossa participação cívica. Não que o façamos deliberadamente, mas porque acreditamos que já estamos a participar para esse movimento. Contudo, penso que devido à nossa própria formação e importância junto da comunidade, podemos ter um papel diferente, mais participativo e diferenciado, em prol da melhoria da qualidade de vida de todos, inclusive a nossa. Haverá certamente colegas psicólogos que já fazem o seu trabalho de voluntariado. Mas penso que a nossa actuação pode ser mais abrangente e global. Muitos, se não todos os fenómenos que ocorrem no nosso planeta, seja ligado ao ambiente e preservação da natureza, passando pelo tráfico humano ou a fome, entre outros tantos, estão ligados ao comportamento humano. E sendo nós um dos principais agentes na leitura e compreensão do comportamento humano. Mas também profissionais com capacidade de poder devolver ao Outro, formas diferentes de alterar hábitos que se repercutem na mudança das suas vidas e da de todos nós. Será fundamental haver mais participação da nossa parte, individual mas principalmente organizada, gerando sinergias com outros colegas psicólogos e profissionais de outras áreas. O envolvimento cívico de qualquer um de nós caracteriza-se por acções individuais e coletivas destinadas a identificar e abordar questões de interesse público. O envolvimento cívico pode assumir muitas formas, desde o voluntariado individual até o envolvimento organizacional e a participação eleitoral. Pode incluir esforços para abordar diretamente uma questão, trabalhar com outras pessoas numa determinada comunidade para resolver um problema ou interagir com as instituições da democracia representativa. O envolvimento e compromisso cívico abrange uma série de actividades específicas, como trabalhar numa cozinha comunitária, participar numa associação de bairro, escrever uma carta a uma autoridade eleita ou votar. De facto, um princípio básico desta abordagem, que pode ser de qualquer um de nós, assim a escolhamos, é que um cidadão envolvido e comprometido deve ter a habilidade, agência e oportunidade de se mover confortavelmente entre esses vários tipos de actos cívicos. Será fundamental que possamos sair da nossa actividade profissional individual e que nos fecha para o Mundo e as suas necessidades emergentes e recorrentes. E nos possamos organizar em pequenos ou grandes grupos. Será este movimento de nos aproximarmos que levará a esta reflexão e continuo questionar de qual o nosso papel, também aqui nesta área do envolvimento cívico. E tarefas ou actividades que nos parecem impossíveis de vir a executar junto da comunidade passam a ser olhadas com uma outra probabilidade quando partilhamos este esforço com outros igualmente capazes. Já existem muitos e variados grupos organizados em Portugal, nomeadamente participados por profissionais de várias áreas, nomeadamente psicólogos. Existe o próprio trabalho desenvolvido continuamente da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Mas continua a haver espaço para a nossa participação. As pessoas continuam a adoecer, ou a ter maiores dificuldades em fornecer uma resposta mais capaz para ultrapassar determinados obstáculos, normalmente de ordem psicossocial. Mas também se fala do comportamento de abstenção na participação política ou do envolvimento dos estudantes nos movimentos associativos para continuarem a cuidar e a fazer crescer as escolas. Ou a necessidade de estarmos mais envolvidos em cuidar do nosso ambiente, seja por comportamentos de não deixar lixo nas praias, matas, etc., mas também de podermos ter uma outra actuação enquanto consumidores. A participação, o envolvimento e o compromisso de todos nós ajuda-nos a crescer individualmente mas fundamentalmente enquanto comunidade. E podermos abandonar comportamentos e pensamentos de que esse trabalho deve ser realizado e é da responsabilidade do Estado. O Estado tem e continuará a ter as suas responsabilidades atribuídas. E nós próprios podemos e devemos tornarmos-nos mais vigilantes da própria actuação política. Veja-se os casos que se têm multiplicado nos últimos meses devido à própria situação de pandemia. Ainda recentemente os profissionais se envolveram para denunciar e provocar a mudança da retenção das crianças durante um período de 14 dias quando estas são retiradas à família. Ou então, as pessoas que se têm organizado para reduzir o número de alunos por turma ou a inclusão de determinadas disciplinas como a Educação Sexual no currículo escolar. Certamente, não temos todos a mesma opinião ou defendemos as mesmas coisas. E não o temos de ter. É esperado e melhor que haja uma pluralidade de ideias, assim certamente faremos melhor. Mas é fundamental que nos possamos entender face às necessidades do no planeta e de todos nós.


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