Tal mãe, tal filha!

Frases como estas são habituais de ouvir desde o berço. "É a cara da mãe.", "Tem o sorriso da mãe." e mais tarde no desenvolvimento, "É mesmo teimosa como a mãe." ou "Tem os mesmo hábitos da mãe.". É esperado que assim o seja, afinal de contas partilhamos uma percentagem significativa de material genético. Mas quando se ouvem as coisas ao contrário, por exemplo, "A mãe está tal qual a filha!" há uma qualquer sensação de estranha ou de erra na frase. E então quando se ouve "A mãe tem o mesmo diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo que a filha!"?

Esta situação é algo que tendencialmente ocorre com maior frequência. A mãe, mas também o pai, ficar a saber de que tem o mesmo diagnóstico que a filha - Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Mesmo que não se saiba efectivamente o diagnóstico é referenciada para uma avaliação mais detalhada para poder ter a certeza acerca das suspeitas levantadas. Se é difícil assimilar o diagnóstico da filha, por todas as razões possíveis de enumerar. Desde a incompreensão do que lhe está a ser dito, mas também a não aceitação ou até mesmo a rejeição do diagnóstico. Passando por todo um conjunto de angústias acerca do que prevê que possa ser o futuro da sua filha e as incertezas da vida há um marasmo de sentimentos no dia em que se recebe o diagnóstico de PEA da sua filha.


Para além da necessidade de integração do próprio diagnóstico, nomeadamente uma integração compreensiva daquilo que é o repertório comportamental apresentado. É fundamental começar a preparar a intervenção individual nas mais variadas áreas necessárias (psicologia, terapia da fala, psicomotricidade, etc.) mas também em grupo, seja ao nível familiar (terapia familiar) ou no treino de competências parentais ou de competências sociais para a filha. A vida muda muito, desde a forma como se passa a ver todo um conjunto de situações e acontecimentos mas também do ponto de vista logístico e prático.


E quando adicionalmente a mãe fica a saber nesse mesmo dia e nessa enxurrada de informações que também tem o mesmo diagnóstico que a filha a imersão é ainda maior. A necessidade de apoio e acompanhamento é ainda maior. Não somente a filha mas a mãe e por conseguinte o grupo familiar apresenta um conjunto de fragilidades e necessidades a serem atendidas naqueles momento e nos anos próximos.


Nestas situações e em outras semelhantes é comum sentirmos que a mãe, mas também o pai quando se trata do caso, parece relegar para segundo plano as suas necessidades em detrimento das necessidades da filha. Seja por razões mais de ordem prática e financeira, em que os custos associados às terapias pesam no orçamento familiar. Mas também porque sentem que não se podem desviar do fulcral - o acompanhamento da filha.


Este sentimento precisa de ser compreendido e validado. A mãe irá procurar fazer tudo para mitigar o sofrimento da sua filha. Até porque sente que consegue ter uma compreensão superior à de todos os outros acerca das suas características porque também partilha algumas delas e além disso partilha um diagnóstico igual - Perturbação do Espectro do Autismo. Após esta validação é fundamental dar uma visão da importância da intervenção junto da mãe e da família. Porque a mãe precisa de ser igualmente cuidada para que também se possa sentir capaz de o fazer com a filha. Mas principalmente porque a mãe precisa de si própria e de estar nas melhores condições de saúde física e bem estar psicológic. Mas também é fulcral dar a visão da importância do cuidar do casal e da forma como algumas das características da PEA acabam por afectar a diade do casal e doravante do grupo familiar. Tudo está interligado e partilhado tal qual a base genética que carregamos entre nós.

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