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Suja as mãos

Hoje, dia 20 de outubro, é dia mundial de combate ao bullying. Teria sido bom que ontem alguém tivesse intervindo junto do Júlio (nome fictício) na escola enquanto ele estava a ser gozado por outros três colegas. E teria sido igualmente importante que na semana passada alguém tivesse parado a humilhação a que a Joana (nome fictício) foi sujeita na casa de banho da escola por outras quatro colegas. Os números no bullying são conhecidos e divulgados ano após ano nesta altura. Ou então quando ocorre uma situação mais dramática. Ao longo dos dias, semanas e meses, alunos e alunas vitimas, agressores e espectadores, mas também professores, técnicos operacionais e pais vão sendo igualmente vitimas de uma mudança que precisa de ser feita. Não são apenas as escolas que necessitam de se tornar lugares seguros. O caminho para a própria escola, o lar, o sitio onde vivemos, o planeta, todos estes lugares necessitam de ser sentidos como mais seguros para crescer, nos relacionarmos. Precisamos todos de encarar a realidade e sujar as mãos. Não no sentido de fazermos justiça pelas nossas próprias mãos, ou nos revoltarmos contra os agressores e os seus pais. E olharmos para as vitimas como alguém incapaz de se defender. Ou os espectadores como alguém que não tem poder para mudar as coisas. As crianças e os jovens, pensando neles especificamente como aqueles que estão na escola, necessitam de ser ouvidas e empoderadas para serem eles mesmos a travar estes fenómenos. Sim, a maioria das crianças e dos jovens não são vitimas ou agressores. Mas são espectadores. E todos juntos podem levar a uma reparação dos acontecimentos.


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