Soon, mate, don't you worry: novidades da Austrália

Cada vez mais deixa de fazer sentido à avestruz manter a cabeça enterrada na areia. A evidência a nível mundial é de cada vez maior. Deve haver uma diferenciação na avaliação da Perturbação do Espectro do Autismo em rapazes versus raparigas.

A Austrália foi o último pais da produzir um guião para a avaliação da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) ao longo do ciclo de vida que aponta para a necessidade de diferenciar o processo de avaliação consoante estejamos a avaliar um rapaz ou uma rapariga. A Austrália vem juntar-se ao Reino Unido, Itália, Canadá e Noruega. De uma maneira geral os clínicos a nível mundial continuam a usar o ICD-10 e a DSM 5 para efectuar o diagnóstico de PEA, de acordo com as características descritas nos respectivos manuais. Qualquer pessoa mesmo que não seja formada em medicina ou psicologia mas que tenha contacto com rapazes e raparigas com PEA consegue ter sensibilidade suficiente para perceber que a maioria das raparigas não se revêm nessas mesmas características.


Então porquê continuar a insistir? É a pergunta de muitos e principalmente muitas raparigas e mulheres que descobre tardiamente o diagnóstico de PEA podendo evitar todo um conjunto de situações causadoras de enorme sofrimento.


O guião agora publicado na Australia e de acesso gratuito foi sujeito a discussão pública desde outubro de 2018. E recolheu opiniões de vários sectores, nomeadamente médico, psicológico mas também de pessoas com PEA e de outros activistas e representantes de associações da área do Autismo. Este mesmo guião propõem uma avaliação inicial para avaliar as necessidades, inclusive da necessidade ou não de uma avaliação. Mas também do delineamento do processo de avaliação e quais os profissionais necessários no caso da avaliação ser necessária. Esta avaliação inicial irá ajudar a desenhar o próprio processo de avaliação e criar um fio condutor ao longo de toda a avaliação e processo de referenciação para a intervenção.


O guião descreve igualmente como é que os traços são apresentados de forma diferenciada ao longo do desenvolvimento, sexo, capacidade cognitiva e cultura. A questão da heterogeneidade na apresentação do fenótipo na PEA não se esgota apenas questão questão rapazes versus raparigas. É mais abrangente que isso. Os estudos ainda continuam a ser necessários. Assim como o desenterrar a cabeça da areia. Todos aqueles que têm e vão continuar a estar presente, de uma forma ou de outra nesta área do Autismo são fundamentais para construir um percurso

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