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Ser ou não ser: Os dramas Shakespearianos no autismo

"Não parece nada autista!". Como se o autismo estivesse na cara da pessoa! "Faz contacto ocular, como tal não pode ser autista!". Tal como o ditado diz, longe da vista longe do coração! "Tem amigos, logo não pode ser autista!". Com amigos assim quem precisa de inimigos? Parecemos todos saber o que é e não é as Perturbações do Espectro do Autismo (PEA). Mas ao fim de quase 80 anos ainda continuamos muito aquém das necessidades reais das pessoas.

Para além dos critérios de diagnóstico da DSM 5 referente à Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), défice persistente na interacção e comunicação social transversais a múltiplos contextos. Com défice na reciprocidade social-emocional, nos comportamentos comunicativos e com défices em desenvolver, manter e compreender relacionamentos. Mas também com padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou actividades. As perturbações do Espectro do Autismo são muito mais do que tudo isso.


Sendo uma perturbação possível de identificar precoce no desenvolvimento, a PEA acompanha a pessoa ao longo do ciclo de vida. No entanto, como em qualquer um de nós, as suas características vão sendo diferentes. Sejam determinados comportamentos que estão mais presentes na infância. Até porque as dificuldades existentes nesta altura como por exemplo a linguagem, fala e comunicação estão muito mais agravados e isso leva a que determinados comportamentos possam estar mais evidenciados. E na adolescência e na vida adulta isso já não aconteça porque houve todo um processo de intervenção e de melhorias nesses mesmos comportamentos.


Mas também porque ao longo do desenvolvimento as próprias características da PEA levam a desenvolver outras características, com evidência de maior ansiedade ou traços depressivos. Mas também os próprios rituais que se tornam mais acentuados e podem levar a pressupor a existência de uma Perturbação Obsessivo-Compulsiva. Seja como for, as características da PEA e a forma como muito de nós crê ser ou não uma PEA leva a consequências graves principalmente para a pessoa.


Uma das consequências mais evidentes é o atraso na realização do próprio despiste de Perturbação do Espectro do Autismo. Este atraso leva a um igual atraso na intervenção adequada para a situação clínica da pessoa. Mas também de toda uma falta de orientação junto da família e da escola desta criança e adolescente. Mas no caso do adulto em que já escasseia todo um conjunto de apoios existentes até aos 18 anos, seja na escola ou na família, a situação parece ainda se tornar mais gritante. O isolamento social acentua-se e a dificuldade em o próprio integrar uma formação que lhe permita aceder ao mercado de trabalho ou à ocupação de tempos livres. O nível de dependência aumenta e consequentemente o de autonomia diminui consideravelmente. O agravamento do quadro clínico aumenta igualmente com o surgimento de outras condições psiquiátricas.


A importância de difundir a informação adequada, do ponto de vista cientifico, psicológico e médico, prende-se com as consequências anteriormente descritas.


Fazer contacto ocular é possível de encontrar nas pessoas com PEA. Estas pessoas têm capacidade de aprendizagem. E este comportamento pode ser aprendido, assim como a ler, escrever, conduzir ou outra actividade qualquer. As pessoas com PEA têm amigos ainda que em determinado momento se tenha observado um número mais restrito. É verdade que nem todos mostram motivação para estabelecer ou manter relações de amizade e ou sociais. Mas como em qualquer situação não devemos julgar as situações pelo todo. As pessoas com PEA têm e desejam constituir família. Ou trabalhar e estarem integrados na Sociedade, não obstante as características que em determinados momentos deste seu percurso acabam por criar o que é designado de défice de competências, seja de interacção, comunicação ou outras.


Como em qualquer situação, se a pessoa, seja com que características for, apresentar uma determinada dificuldade em realizar algo, ela precisa de ser e de se sentir acolhida para que depois possa desenvolver a aprendizagem. Aquilo que é sentido uma grande parte das vezes pelas pessoas com PEA é que parece ter de haver um esforço acrescido para poder ter essa compreensão por parte do ambiente envolvente. Seja em contexto escolar ou profissional, continua a ser referido que a pessoa não pode ter uma Perturbação do Espectro do Autismo por conseguir obter determinados bons resultados e como tal não faz sentido continuar a fornecer apoios de acordo com a legislação para as Necessidades Educativas Especiais (Necessidades Inclusivas). A própria noção de NEE's ou Necessidades Inclusivas leva muitos a sentirem que parece ser um especial favor que lhe fazem e que não devia ser. Todos apresentamos algum tipo de características e que em determinado momento conjugado com outros factores que se pode tornar uma dificuldade ou um défice.

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