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Relações nem sempre compreendidas

Dar emprego a pessoas autistas!? Mas isso vai representar um custo adicional e muito provavelmente não irei ter benefícios! ouvia-se numa reunião. Não percebo porque é que estão todos com essa cara a olhar para mim?! Já alguém leu um relatório a dizer que há benefícios para uma Organização se empregar pessoas autistas? perguntou. Tendo em conta que ninguém tem uma resposta para me dar iremos passar ao próximo ponto da agenda! referiu o responsável da empresa em relação a uma proposta que tinham recebido a propor a possibilidade de virem a integrar pessoas autistas na sua empresa.


Este representa um diálogo que muito provavelmente justifica que várias empresas de diferentes sectores a nível mundial não pensem sequer em empregar pessoas autistas. Ou seja, a relação custo beneficio percepcionada por si será na quase totalidade das vezes desvantajosa e desequilibrada. Com os custos a superarem os quase inexistentes benefícios. Mas porquê? perguntam-se alguns.


Em primeiro lugar são muito poucos ou quase inexistentes os estudos que fizeram um levantamento sério dos custos benefícios de um programa que tivesse empregado pessoas autistas. E porquê? perguntam alguns. Porque provavelmente se parte do principio que poderá não fazer sentido esse mesmo estudo. Facto que é completamente errado.


Se pensarmos nos custos envolvidos nas pensões e outros benefícios sociais que são direito das pessoas autistas. E que além disso, são pessoas que não estarão a trabalhar e como tal não estarão a gerar riqueza. Para além de que estarão muito provavelmente a viverem dependentes de familiares, normalmente pais, que estarão eles próprios também em burnout e com maior dificuldade em conseguir trabalhar. Se alguém da área da Economia se dedicar a esse cálculo, irá conseguir determinar que os custos envolvidos são muitos. E certamente estas não serão as únicas variáveis a ter em conta. Para além do mais existem todas as demais variáveis em relação ao impacto negativo no bem estar psicológico e qualidade de vida. Além de todo o impacto que terá para a Sociedade como um todo.


Mas quando algumas pessoas conseguem pensar em alguns destes aspectos, logo rapidamente se põem a antever nos custos que irá envolver a integração de uma pessoa autista na empresa. Ainda que a grande totalidade das pessoas com responsabilidade nas empresas não façam a mínima ideia de que questões são necessárias de ter em conta para a integração adequada de uma pessoa autista.


Como quase sempre, as adaptações a implementar são comportamentais. E ainda que estas pareçam na grande maioria as mais difíceis, até pela própria resistência à mudança, o certo é que há profissionais capazes para poder ajudar as empresas a tomarem estas decisões de uma forma adequada.


E já agora, não venham falar que aquilo que está a ser feito já tem resultados, porque não tem. A Lei 4/2019 que impõem a cota de empregabilidade para as pessoas com deficiência não se está a traduzir na mudança significativa dos números de desemprego das pessoas com estas características. E além de que deixa de fora todo um conjunto incalculável de pessoas que não cumprindo os critérios para receberem um atestado multiusos com incapacidade igual ou superior a 60% não se enquadram e como tal não podem beneficiar desta mesma lei.


É preciso criar um lobbie verdadeiramente forte e capaz de exigir ao Governo para que este possa implementar uma mudança visível na vida das pessoas com deficiência e neste caso especifico na vida das pessoas autistas.


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