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Quero segurar a tua mão

"Oh, yeah, I'll tell you somethin'

I think you'll understand

When I say that somethin'

I want to hold your hand"


Beatles, I want to hold your hand


Não sei se já alguma vez se deram conta das diferentes formas que as pessoas dão as mãos? Na foto que acompanha o texto podemos ver alguns exemplos, mas estou certo que cada um de vocês terá a sua forma única.


Mas já pensou na forma aparentemente diferente como homens e mulheres dão as mãos? Seja quando os homens dão as mãos a outros homens, assim como as mulheres as outras mulheres, ou então quando um homem dá a mão a uma mulher!? Ou como em diferentes culturas as pessoas dão as mãos?


Existem vários aspectos que poderiam ser abordados em relação a este comportamento tão simples e habitual do nosso quotidiano - dar as mãos! O estudo de Harvard por exemplo já se debruçou sobre a importância de dar as mãos ao longo do ciclo de vida. Ou de como este comportamento leva a reforçar a vinculação na relação com a outra pessoa. Mas também o bem estar e a segurança transmitida à outra pessoa quando lhe damos a mão, etc.!


São várias as possibilidades, mas gostaria de poder falar acerca de uma outra. A forma como homens e mulheres autistas, além de darem as mãos quando assim o desejam, podem ser diferentes, mas também semelhantes em vários aspectos da sua forma de ser, sentir, pensar e agir.


Ou seja, de vez em quando torna-se necessário voltar a esta questão do fenótipo comportamental no autismo e de como este é diferente entre homens e mulheres. E por que é importante perguntam vocês?


Porque continua a haver várias raparigas e mulheres que continuam a receber um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo mais tardiamente, e mais tardiamente quando inclusive apresentam características semelhantes a um rapaz/homem autista. Ou seja, uma rapariga/mulher autista é diagnosticada em média 2 anos mais tarde que um rapaz/homem autista com o mesmo conjunto de características.


Como tal, se sabemos que as características para a atribuição de um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo é indiferente do sexo ser masculino ou feminino, por que razão continuamos a ter estas e outras situações semelhantes?


Até porque cada vez mais vai havendo investigação e divulgação acerca do ratio de homens Vs. mulheres autistas ser cada vez menor. E como tal, a ideia de o ratio ser 4:1 (homens : mulheres), passou a ser consensual que o valor mais adequado será de 3:1 ou até mesmo de 2:1. Mas mais do que esta diferença aparentemente menor parece ser importante pensar no porquê da existência desta diferença!? E do porquê desta diferença continuas a acontecer nos pais que olham para o comportamento do seu filho ou filha de uma forma diferente, atribuindo um conjunto de comportamentos expectáveis e que parecem ir ao encontro de determinados papéis sociais. Mas também em professores, médicos ou psicólogos.


Ou seja, continuamos a ouvir pais a dizerem que a sua filha não pode ser autista pois o seu filho tem esse diagnóstico e a sua filha apresenta um comportamento por vezes diametralmente diferente do filho. Ou os professores que dizem que aquela sua aluna não pode ser do espectro do autismo pois é uma aluna excelente ou então uma aluna sossegada e que não causa distúrbios. Mas também profissionais de saúde das mais variadas áreas e especialidades que dizem que não faz sentido o diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo naquela rapariga ou mulher pois faz contacto ocular, ou tem amigos e uma competência social mais desenvolvida!!


Hoje falamos mais do comportamento de camuflagem social e de como este parece estar mais presente nas raparigas/mulheres. E que este comportamento leva a que elas sejam mais competentes no guião social e que isso as leva a não ser diagnosticadas dentro do tempo adequado. Ainda que isso tenha um custo tremendo em termos de agravamento da saúde mental, nomeadamente na ansiedade e depressão, já para não falar da ideação suicida. Mas mesmo em outras situações em que falamos de Perturbação do Espectro do Autismo nível 2 parece haver a mesma questão de se fazer um diagnóstico mais tardio nas raparigas/mulheres por questões semelhantes às referidas anteriormente.


Por que razão homens e mulheres autistas não podem ter formas de expressão diferentes nas mais variadas áreas do comportamento? E o mesmo é perguntado para homens autistas comparados com outros homens autistas, assim como para as mulheres autistas! Ou seja, se falamos de uma tão grande variabilidade e heterogeneidade na expressão comportamental no espectro do autismo, porque nos é tão difícil quebrar esta barreira de pessoas diferentes e de sexos diferentes poderem ter o mesmo diagnóstico ainda que tenham um perfil de funcionamento mais ou menos diferente!?


Fora, mas também dentro da saúde mental, as pessoas continuam a ser pessoas! Sejam homens ou mulheres. Sejam homens ou mulheres que ao longo do seu ciclo de vida vão fazendo diferente consoante as suas experiências e aprendizagens de vida! Sim, porque as pessoas autistas aprendem e com essas aprendizagens procuram implementar mudanças na sua vida!


Nos países Árabes, norte de África, algumas partes da Ásia e em algumas culturas Mediterrânicas e do sul da Europa, os homens dão as mãos como sinal de amizade. Ainda que em outras culturas isso possa ser visto como um comportamento estranho e leve as pessoas a ter reacções homofóbicas. Voltando novamente à ideia das diferentes formas como as pessoas dão as mãos umas às outras e inclusivamente diferente ao longo da vida e consoante a pessoa com quem o fazem. A ideia pode e deve ser usada para pensar na expressão diferente como as pessoas, homens e mulheres autistas são, sentem, pensam e agem!


Se não compreendeu pode ser perguntar a uma pessoa autista que lhe explique. Ou então a um profissional de saúde especializado na área do autismo!



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