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Queres que eu te mostre um vídeo?

Vídeo killed the radio star, ainda se lembra? Primeiro vídeo a estrear na MTV em 1981, mais precisamente a 1 de agosto de 1981. E por que é que eu me fui lembrar deste titulo Queres que eu te mostre um vídeo? Várias razões. Uma primeira, porque muito frequentemente costumamos dizer Queres que te faça um desenho quando alguém parece não estar a perceber muito bem algo que tentamos explicar. Mas também porque nos dias de hoje é muito frequente quando alguém quer explicar e ou mostrar algo a alguém enviar-lhe o link de um vídeo ou tutorial para explicar algo. Provavelmente muitos de vocês ainda ficarão a tentar perceber o porquê de tudo isto.


Eu explico. Muitas pessoas, ainda nos dias de hoje e apesar de toda a informação veiculada sobre o autismo, continuam sem perceber muito bem o que é que estamos a falar quando nos referimos a alguém com este diagnóstico, seja criança, adolescente mas também adulto. As pessoas sabem ler e ouvir as explicações que lhe são fornecidas, mas por alguma razão continuam a demonstrar dificuldades em conseguir compreender. E se compreenderem para uma situação ou pessoa, parecem que depois não conseguem generalizar o que é que poderá ser uma outra pessoa autista. É quase como se esperassem que as pessoas autistas fossem todas iguais e tivessem comportamentos iguais. Ainda que curiosamente as pessoas digam sempre que todos somos diferentes uns dos outros e que não há ninguém igual.


E também por isso é que alguns países tem levado a cabo algumas campanhas, pedindo a pessoas com esta condição que represente o papel de uma pessoa autista a realizar uma determinada tarefa ou conjunto de tarefas quotidianas. E isto para que quem esteja a ver consiga perceber na prática o que é que pode ser uma pessoa autista e de que muito da informação que está a ver vai contrariar as suas crenças e mitos sobre o que é o autismo e uma pessoa autista.


Ou seja, parece que as pessoas não autistas precisam de pistas visuais de como é que as pessoas autistas na sua globalidade fazem, pensam e sentem as coisas. Nomeadamente, verem que as pessoas autistas aprendem e gostam de aprender. Além de que querem ter relações interpessoais e ou de amizade. E que sentem emoções em várias situações do seu quotidiano. E não são insensíveis e ou rudes e desagradáveis apenas porque estão a pensar em si próprios.


É triste termos de chegar aqui. E apesar de toda esta informação ser veiculada por muitos profissionais de saúde e pelos próprios autistas, ainda continua a haver muitas pessoas que parecem não acreditar. Eu tenho de ver o relatório de avaliação porque eu não acredito que o meu aluno ou aluna seja do Espectro do Autismo, dizem alguns professores. E poderiam ser profissionais de saúde a dizerem algo semelhante, ou pais, ou qualquer um de nós. É como se qualquer um de nós tivesse uma certeza inabalável do que é o autismo e uma pessoa autista e como aquela pessoa que temos na nossa frente não se enquadra na nossa representação rejeitamos completamente essa mesma hipótese. E ainda por cima pensem que cada vez que rejeitam essa hipótese, não apenas estão a causar um impacto negativo na pessoa através daquilo que lhe estão a vedar o acesso e que é um direito seu. Mas acabam por referir todo um conjunto de comportamentos que dizem que a pessoa deve ou não deve ter. E que são afirmações que na maior parte das vezes além de não serem verdade, são inclusive agressivas e humilhantes.


Por isso, tal como se vem a usar vídeos para ajudar as pessoas em grupos de treino de competências sociais, sejam pessoas autistas ou não autistas. Em que se apresentam estes mesmos vídeos para ajudar a modelar alguns dos seus comportamentos. Também parece que apresentar vídeos com pessoas autistas a interagirem no seu quotidiano parece ajudar as pessoas não autistas a terem uma ideia mais aproximado da realidade daquilo que será o autismo e uma pessoa autista.


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