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Que querida, quer ser veterinária

Não podemos ser ou saber tudo. E muitas vezes pensamos que os veterinários são aquelas pessoas extremamente empáticas, até porque amam os animais e cuidam sempre muito bem de todos eles. Como é que alguém que cuida de gatinhos ou coelhinhos fofinhos pode não ter sempre um sorriso na cara? Ou alguém que sabe compreender o que os cavalos sentem será certamente uma pessoa compreensiva com todos as pessoas, certo? E se a pessoa consegue estar sempre disponível para acudir num emergência então é porque nunca sente ansiedade, correcto?


Muitos de vocês têm assistido à série The Good Doctor, e como tal não se vão espantar se disser que também há um conjunto de veterinários que são autistas. E porque não haveria de haver, certo? Se existem na Europa cerca de 5 milhões de pessoas autistas, é de esperar que algumas sejam médicos veterinários.


E se pensarmos que é importante pensar nos médicos autistas e na necessidade de adaptação em certas situações para que estes possam trabalhar de forma adequada. Pensem que os clientes destes são pessoas. Enquanto que os clientes principais dos médicos veterinários são animais. Não que alguns animais não se comportem melhor que determinadas pessoas numa situação clinica. No entanto, penso que poderão imaginar o ruido que existe num hospital veterinário. E se não conseguem, experimentem ir ao Hospital Veterinário na Ajuda em Lisboa e vão ter um bom exemplo do que vos estou a falar.


Mas não é apenas esta questão dos ruídos. Mas também a questão das texturas, ou do trabalhar em equipa e sob determinada pressão. E por favor não digam que se a pessoa tem estas dificuldades não deveria ter escolhido Veterinária. Isso é horrível e nada respeitador da diversidade humana.


Além de tudo isto, há que pensar que há o cliente principal, o animal. Mas também há o cliente secundário, o dono do animal. E como tal, implica que o médico veterinário tenha de falar com ele, seja antes mas também depois da intervenção realizada. E se a interacção com o animal até corre bem, o mesmo não se pode afirmar acerca do resto. E a situação de contacto com os donos do animal pode ser difícil e exaustiva.


Além de todo um conjunto de dificuldades relacionadas com os turnos que muito destes profissionais necessitam de realizar. Seja ao longo da sua formação, mas também durante a sua própria formação académica. São várias as dificuldades que a pessoa autista vai encontrando ao longo da sua formação e exercício da sua profissão de médico veterinário e que importa poder ter em conta para levar a que as pessoas possam ter um contexto facilitador e promotor destas possibilidades e escolhas de vida.



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