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Qual é o problema?

Esta pergunta pode ser interpretada de várias formas, consoante o contexto e a própria tonalidade usada. Por exemplo, na imagem que acompanha o texto qual é o problema? O facto do senhor ser um fotografo iniciante e inexperiente? Não ter acuidade auditiva para perceber que um animal se aproximou de si? Ou está a fotografar outra coisa que não o alce que está atrás de si?


Já agora, também poderiam pensar que o homem que está a tirar fotografias está a perguntar à pessoa que lhe tirou esta foto - Qual é o problema? Precisamente usado numa tonalidade de voz mais grave e alta.


Na verdade, todos nós ao longo da vida temos questões para resolver. Questões que também podemos chamar de problemas. Coisas que precisamos de dar uma resposta. Por exemplo, durante o período escolar temos muito destas coisas a que chamam de questões ou problemas para resolver e que se prendem com as questões académicas. Mas não só. Também há questões e problemas no intervalo que são precisos poder resolver. Por exemplo, o que é que o colega que está a falar connosco nos está a querer transmitir? Ou será que eu devo passar a bola para o meu colega marcar o golo ou não? Ou devo pedir a Francisca em namoro ou não? Como vemos, há várias questões e problemas aos quais precisamos de dar uma resposta. E isto é muito igual para todos. Ainda que em alguns possa haver maiores dificuldades encontradas. Por exemplo nas pessoas autistas.


Não é que as pessoas autistas não saibam resolver problemas. Assim como muitos de nós por vezes também parece que não somos capazes de os resolver. Para mim, e não só, muitas das vezes, o problema não é resolvido ou resolvido adequadamente porque não se percebeu qual é que era o problema. É como estarmos a fazer tiro ao alvo e pensarmos que o objectivo é acertar o mais longo do alvo pintado no centro a vermelho. O exemplo é um pouco tosco mas serve para ilustrar a ideia de que não ter uma noção exacta e adequada de qual é o problema vai levar a que ergamos um conjunto de esforços que podem vir a ser em vão e que além de não servir o propósito de responder à situação leva a um aumento da frustração e de desesperança por parte da pessoa.


E como tal, algumas das vezes aquilo que procuro passar de ideia aos meus clientes é a importância de começar por definir bem qual é o problema. E tendo em conta que algumas pessoas, nomeadamente no espectro do autismo poderão ter maior dificuldade em manter a informação presente no pensamento para poder ir sendo trabalhada, nada como colocar as coisas no papel. Além do mais um bom plano desenhado no papel pode perfeitamente acompanhar-nos para qualquer lado, ser consulta, mas também ser refeito se necessário for à medida do caminho a fazer. Esta proposta não é nada de inovador. No entanto, muitas vezes muitos de nós não a usamos, nomeadamente porque estamos com a vida a acontecer a uma velocidade estonteante e que não se compadece com estas metodologias.


Mas a questão não fica apenas por definir qual é o problema. Precisamos de saber quais os prós e contras que existem para dar uma resposta ao problema. Ou seja, ao longo da nossa vida enquanto vamos procurando resolver problemas vamos acumulando uma crença acerca da nossa capacidade para dar uma resposta adequada às coisas. E há algumas coisas que logo ao principio pensamos que não iremos ser capazes de resolver e quase damos a certeza absoluta disso sem antes termos tentado. E depois acabamos por perceber que afinal até conseguimos. Por isso também é importante poder equacionar quais os pontos positivos que eu tenho para poder dar uma resposta à situação. E quanto aos pontos contra? Esses podem vir a seguir, até para contrariar uma tendência natural de muitos e principalmente de pessoas deprimidas ou pessoas que têm um acumular de experiências negativas. E depois de termos feito o levantamento destes prós e contra?


Tendo em conta que os problemas não se resolvem sozinhos é também fundamental construir um cronograma. Ou seja, o que é que vamos fazer e quando é que vamos fazer e durante quanto tempo. Ou seja, através desta planificação conseguimos perceber temporalmente quando é que vamos começar, fazer o quê e terminar. E esta questão da dimensão temporal também é importante no espectro do autismo e não só, precisamente porque muito frequentemente se encontra em prejuízo.


As questões e problemas podem não envolver outras pessoas, mas de uma maneira geral, directa ou indirectamente há outras pessoas envolvidas. E outras pessoas significa outras perspectivas sobre o problema, de como o encarar e resolver. E por isso se eu necessito de dar uma resposta a um problema que envolve uma outra parte é fundamental poder considera-la.


E no fim é igualmente importante fazer algo de forma consciente e que mais uma vez muitos de nós não o realiza - O que é que eu aprendi com tudo isto? Por norma ficou mais centrado no alivio de ter resolvido a situação e não faço uma aprendizagem consciente e construtiva acerca daquilo que aconteceu e do que eu fiz para poder contribuir para a resolução do mesmo.


Certamente que cada um terá uma abordagem própria e algo diferente e que foi aperfeiçoando ao longo do tempo e da experiência. Óptimo. Esta é mais uma outra. É importante poder perceber que resolver questões ou problemas não tem ou não deve ter uma conotação negativa. Até porque há muitas questões para resolver ao longo da vida e que dizem respeito à interacção que nós próprios vamos fazendo com o Mundo à medida da nossa passagem. E se tivermos algum plano para nos ajudar a resolver de uma forma sistemática as questões, diria que temos uma redução dos nossos problemas. E agora sim, estou a referir-me à questão negativa dos problemas.


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