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Prognósticos, só no fim do jogo!

Prognósticos, só no fim do jogo! é uma frase conhecida no mundo futebolístico. Mas fiquem tranquilos que não irei falar de futebol, até porque não tenho competência para tal. Mas irei falar de algo que acontece no futebol e em muitos outros contextos. E que tem a ver com a possibilidade de prever como é que as coisas irão acontecer! Quem não gostaria? E neste texto, a pergunta que iremos tentar dar algumas pistas, é de como é que podemos prever o resultado final do estudante universitário autista quando terminar a sua formação! Muitos pais, e os próprios filhos, vão sentindo até determinado momento que será quase impossível entrarem na universidade. E depois de entrarem na universidade, começam a perguntar-se de quando é que terminará e como é que será!


Não fazendo futurologia, até porque não tenho competência para tal, irei procurar partilhar com vocês algumas ideias importantes de existirem para que possa haver esse resultado final positivo.


A escolha do curso a realizar e a própria Instituição é fundamental. É assim para qualquer aluno no ensino superior, e ainda mais para as pessoas autistas. Por exemplo, continuam a haver muitos alunos autistas no ensino superior que não foram devidamente orientados em termos do curso/área a estudar. Mesmo que tenham realizado essa avaliação no 9º ano na sua escola, ainda assim, pode não ter havido nenhum trabalho de orientação adequada. O que leva por exemplo a que muitos destes alunos autistas concorram para Engenharia Informática para serem programadores e ao fim do 1º ano de curso acabem por mudar ou até mesmo desistir do curso. E porquê? Alguns deles porque tinham uma ideia do curso que não corresponde à realidade e como tal a sua expectativa ficou frustrada. E o mesmo acontece com muitos outros cursos e áreas e por razões muito semelhantes. E a escolha da Instituição tem principalmente a ver com o facto desta poder estar ou não sensibilizada para a Educação Inclusiva e para o espectro do autismo mais em particular. Além de os próprios docentes, pessoa técnico e outros estarem sensibilizados e capacitados para fazerem as adaptações necessárias e adequadas.


Esta questão leva a uma dificuldade para os próprios alunos candidatos mas também para os pais. Isto porque não há uma informação difundida de forma geral sobre as Instituições de Ensino Superior que possam estar mais adaptadas para a Educação Inclusiva. Há Instituições que vão desenvolvendo programas de Educação Inclusiva e desde há alguns anos para cá. Seja o Instituto Politécnico de Leira, a Universidade do Porto, a Universidade de Lisboa, o ISCTE, o Instituto Superior Técnico, entre outros. E alguns de vocês pensam que esses nomes acabam por referir-se a quase todas as Instituições. É verdade que há Instituições que parecem estar mais à frente na Educação Inclusiva, ainda que estes programas possam estar desenvolvidos mais em determinadas áreas de estudo, ou para determinadas competências. E que não é uma politica praticada por todos os membros da comunidade Académica daquela Instituição. O que faz com que alguns possam dizer que tiveram experiências muitos positivas na Universidade de Lisboa, enquanto que outro refiram o contrário. Ou seja, é preciso haver uma politica global para todo o Ensino Superior no que diz respeito à Educação Inclusiva. E que se reflicta na prática da vida dos estudantes com estas características.


E a questão da escolha da Instituição vai estar interligado com a capacidade de resposta à referenciação do aluno para a Educação Inclusiva. A grande maioria de Instituições do Ensino Superior já têm esta possibilidade, mas nem sempre gerem da melhor forma este processo. E também referir que em outras situações, são os próprios alunos (ou pais) que não querem ser referenciados. Até porque já tiveram experiências anteriores negativas. Ou então querem tentar ver se são capazes de fazer o ensino superior sem qualquer tipo de adaptação.


A ida para o Ensino Superior é um direito de todos e é um desígnio que muitos sentem que têm de o cumprir para que possam ter uma oportunidade na vida, nomeadamente no mercado de trabalho. E como tal, a candidatura ao ensino superior poderá não fazer sentido enquanto resposta para alguns alunos, sejam eles do espectro do autismo ou não. Ainda que as pessoas possam dizer que querem fazer o ensino superior independentemente de virem a ter um melhor futuro ou não. Até porque o Ensino Superior cumpre várias funções na vida de qualquer um e não se prende apenas com a integração no mercado de trabalho.


Como tal será necessário que o processo de transição do fim do Ensino Secundário para o Ensino Superior ou para outro tipo de formação, será fundamental que seja acompanhado com vista a que a transição e integração no próximo nível seja o mais adequado. E este acompanhamento deverá ser realizado desde a escolaridade obrigatório e que provavelmente passe a ser feito de forma mais vincada a partir dos 13-14 anos. E não, não estou a falar da passagem ou não para o Ensino Profissional. Seja no Ensino Regular ou Profissional, será fundamental que este acompanhamento seja realizado. E que não se prenda exclusivamente com a transição de ano lectivo e da aquisição de conteúdos programáticos. Ainda que estes aspectos sejam fundamentais. Mas é preciso sair deste patamar para poder acompanhar a pessoa na preparação para o projecto de vida da pessoa autista. E se para aqueles alunos que estão no Ensino Profissional parece haver mais programas de acompanhamento nestes alunos, o mesmo parece não ocorrer assim tão bem no Ensino Regular.









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