Procura e encontrarás

Procura e encontrarás [Mateus VII:7]. Ao longo destes anos temos assistido a um crescimento de vários fenómenos sociais preocupantes. Um deles é o dos sem-abrigo. Diz o relatório da Comissão Europeia que vivem na rua 700 mil pessoas, e que na última década se verificou um crescimento de 70%. Em Portugal em 2018 contavam-se 3.396 pessoas nesta situação. E porque é que eu venho falar dos sem-abrigo num blog dedicado ao autismo no adulto? Há uma conscientização crescente de que as pessoas autistas podem estar em maior risco de se tornarem sem-abrigo. Esta questão não foi reconhecida de forma clara e como resultado, os serviços sociais que intervêm nestas situações podem não estar a conseguir atender às diferentes necessidades sentidas por estas pessoas. A Perturbação do Espectro do Autismo é uma condição do neurodesenvolvimento que ocorre ao longo da vida e que afecta a forma como as pessoas percebem o Mundo e interagem com os outros. É provável que que as pessoas autistas não estejam apenas mais em risco de se tornar sem-teto, mas também mais vulnerável uma vez que eles estão nas ruas. As pessoas no Espectro do Autismo variam muito nas suas necessidades de apoio. Alguns vivem de forma independente, enquanto outros precisam de ajuda com certas tarefas ou até mesmo suporte especializado 24 horas. Infelizmente, esse apoio muitas vezes é carente, e os adultos autistas, em média, lutam para alcançar um emprego sustentável e moradia. E isso provavelmente aumenta o risco de de se tornarem sem abrigo. O Espectro do Autismo não ocorre apenas em crianças e jovens. E no caso dos adultos, estes não vivem todos com a sua família ou institucionalizados, também há um número desconhecido daqueles que vivem enquanto sem-abrigo. É fundamental podermos conhecer as suas realidades para que possamos fornecer uma resposta adequada.


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