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Prêt-à-porter

Mãe, não consigo. Não me obrigues a vestir novamente os collants, dizia a Maria João (nome fictício). Não vou vestir camisa, já disse!, gritou Alberto (nome fictício). Pai, as tuas meias têm costuras? Se não tiverem emprestas-me umas?, perguntava António (nome fictício). Eu não consigo vestir essas roupas. A textura é horrível. Mas aquelas outras que tu me arranjaste por causa da minha hipersensibilidade são simplesmente feias, diz Telma (nome fictício). Paulo (nome fictício), precisas de ir comprar roupa que já não tens nenhuma capaz para levar para a escola, disse a mãe do fundo do quarto. Eu recuso-me a ir comprar roupa, responde-lhe Paulo. Simplesmente, não encontro nada que seja adequado para mim, concluiu. Mãe. tu tiveste a mesma dificuldade com a roupa interior?, perguntava Alexandra (nome fictício). Não consigo encontrar um soutien que não me faça impressão ou que não aleije, referiu.


Quantas vezes, estas e outras frases semelhantes não se ouviu já nas famílias em que pelo menos uma das pessoas é autista? E se pensam que é apenas com as crianças mais pequenas enganam-se. Os jovens e adultos também se queixam o suficiente. Se não é da textura, é do facto de serem mais apertadas. Ou então é porque são demasiado quentes ou frescas. Ou os botões, fechos eclair, e outros adereços. E as calças de ganga? São rijas!!


Mas não fiquem a pensar que é apenas as questões da hipersensibilidade. As pessoas autistas, ou pelo menos algumas, gostam e outras tantas gostariam de poder vestir determinadas roupas, mas não as encontram. Pelo menos, não de uma forma adaptada às suas necessidades.


Ou seja, da mesma forma que se faz roupa XXL para que as pessoas com mais peso não se sintam discriminadas, nomeadamente nas visitas às lojas em que parece apenas haver números pequenos.


E as etiquetas?! Há sempre as etiquetas. E na verdade, são cada vez maiores. Já dei comigo a ver qual a marca de roupa com as etiquetas maiores!, diz Joana (nome fictício). Percebi que era um interesse que tinha naquela altura, mas depois passou. Mas o problema das etiquetas continua. Será que não há ninguém que perceba que as pessoas autistas não gostam de etiquetas? E não somos apenas nós, conclui.


Eu já encontrei algumas roupas mais autism friendly, mas os preços são exorbitantes, diz Raúl (nome fictício). A grande maioria das pessoas não vai conseguir pagar aqueles preços, refere. E se ainda vai havendo algumas marcas de roupa adaptada para as crianças, já para os jovens e principalmente para os adultos não conheço, dia Carla (nome fictício). E ainda mais uma pessoa adulta quando vai para o trabalho necessita de ter um maior cuidado com o que veste. E alguns empregos são ainda mais exigentes a esse nível. Eu por exemplo que trabalho num banco estou sempre aflita para saber onde posso comprar roupa adaptada a mim, conclui.


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