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Pergunta ao google

Em 2019 tínhamos 3.641.758 assinantes de acesso à internet em Portugal. E o serviço de Internet móvel atingiu os 7,8 milhões de utilizadores efectivos no final do 1.º semestre de 2019. Em 2020, 84,5% dos agregados familiares em Portugal tinha ligação à internet em casa e 81,7% utilizaram ligação através de banda larga. Usamos esta ligação para envio de e-mails e comunicar com as pessoas através de outras plataformas e redes sociais, para jogar mas também para pesquisar. A utilização dos motores de busca tornou-se um comportamento cada vez mais habitual e num conjunto cada vez mais variado de aspectos da nossa vida pessoal, social ou profissional. Pesquisamos no google onde fica a farmácia mais próxima, mas também aquilo que o relatório do exame médico que fizemos há duas semanas. Mas a variedade de temas não se esgota aqui e através Trends da Google podemos perceber melhor o que as pessoas pesquisaram em determinado período. A análise da Big data passou a ser uma tendência nestes últimos anos e a análise do conteúdo das buscas na internet passou a ser um indicador das questões que preocupam ou interessam o público. Por exemplo, alguém que aguarda uma consulta para realizar um despiste de Perturbação do Espectro do Autismo, é provável que use o google para fazer algumas pesquisas para poder ver respondido algumas das suas preocupações ou interesses. Não é por acaso que cada vez mais pessoas referem na primeira consulta que realizaram um teste de rastreio para o autismo na internet e que obtiveram um resultado indicador de que teria alguns traços comportamentais compatíveis com uma Perturbação do Espectro do Autismo. Como é que a pessoa soube acerca dessa informação? Perguntou a alguém? Provavelmente não, até porque a ser verdade a sua suspeita, a pessoa teria mais dificuldade em o fazer. E se o fizesse, provavelmente essa outra pessoa usaria os dados móveis do seu smartphone para pesquisar essa mesma informação. Como tal, o que se usou para pesquisar no google para obter essa informação? Provavelmente terá experimentado as palavras teste autismo online. E de seguida procurou experimentar algumas das propostas que o motor de busca lhe providenciou e talvez até tenha comparado alguns dos resultados obtidos em websites diferentes. Ou então talvez tenha colocado uma pergunta num fórum especifico para este tópico para saber se alguém já teve alguma experiência semelhante e se sim o que pode dizer acerca do assunto. Porventura, depois de outubro de 2013, talvez as pesquisas nesta área do autismo tenham passado a conter Síndrome de Asperger mas também Perturbação do Espectro do Autismo. Isto porque em 2013 saiu a 5ª Edição da DSM com a retirado do conceito de Síndrome de Asperger. Mas como muitas pessoas poderão perceber o conceito ainda continua a ser usado por várias pessoas. E se fizerem uma pesquisa no google vão encontrar várias referências a esse conceito. Ainda que ao longo dos anos, e se formos observar as tendências de pesquisa no Trends do Google em relação à Síndrome de Asperger versus Autismo, iremos verificar que a percentagem de pesquisas do último conceito tem aumentado significativamente face ao primeiro. O que porventura significa que tem vindo a haver uma assimilação do conceito de autismo na narrativa das pessoas. Da mesma forma que as pessoas passaram a cada vez mais frequentemente pesquisar quem, onde mas também qual a terapia mais adequada para a intervenção na Perturbação do Espectro do Autismo. Este espaço da internet e toda a informação veiculada passou a ser um lugar de pesquisa e partilha de informação, mas também uma ferramenta que ajuda a moldar as percepções das pessoas, de forma positiva ou negativa. As noticias acerca das fake news já não deve ser novidade para qualquer um de nós. Até porque quem não se foi apercebendo do fenómeno deve ter pesquisado no google no seu smartphone num dia em que almoçava no restaurante ao lado do seu local de trabalho e ouvir a notícia no telejornal. Este terreno, ainda que virtual, tem sido um lugar onde se tem travado grandes e duras batalhas, e certamente com tendência para aumentar. No caso do autismo basta ver que ainda hoje e ao fim destes anos todos ainda se continua a encontrar informação falsa em relação ao facto de determinado conjunto de vacinas poder ser responsável pelo surgimento de autismo. Mesmo depois de já ter sido feito inúmeros desmentidos, inclusive pelo próprio médico responsável pelo lançamento da primeira noticia, ainda assim continuam a ser várias as pessoas que continuam a pesquisar no google a relação entre vacinas e autismo. Verdades, meias verdades ou completas mentiras, o certo é que neste terreno virtual foram crescendo cada vez mais websites ou redes sociais a publicitar informação acerca do autismo. Seja de uma nova terapia que foi demonstrada através de um ensaio clinico rigoroso que têm um impacto significativo no treino das competências sociais em jovens com Perturbação do Espectro do Autismo. Mas também encontramos outros lugares que propõem a cura do autismo. Isso mesmo, a cura do autismo. E os exemplos, seja pela positiva ou pela negativa não se esgotam aqui. Por exemplo, são muitos aqueles, nomeadamente os activistas pela causa do autismo que têm procurado através da internet ajudar de uma forma mais abrangente a combater o estigma face ao autismo e à saude mental em geral. Uns e outros advogam a verdade, assim como são muitas as pessoas, nomeadamente aquelas que fazem as pesquisas no google que referem que deve ser verdade aquilo que afirmam. Até porque encontraram vários websites e alguns deles com informação em relação a especialistas ou com referência de serem profissionais de saúde experimentados na área do autismo que fazem determinadas afirmações. Este espaço é o lugar cimeiro de muitas das batalhas a travar no presente. Até porque este espaço serve um propósito bastante nobre dentro da área do autismo. Seja o de ajudar a construir uma identidade autista despida de preconceitos junto de cada vez mais um maior número de pessoas, sejam aqueles com o diagnóstico, mas também a sua família, amigos, profissionais de saúde e sociedade em geral, contribuindo para uma Sociedade inclusiva. Podemos pensar que o facto de termos a internet que irá passar a ser mais fácil fazer tudo isto e que será uma questão de meses para mudar a atitude das pessoas. Da mesma forma que em 2016 muitos pensaram que Donald Trump não seria eleito, muito menos depois de no decorrer da sua campanha ter insultado um conjunto de minorias. Mas o certo é que a análise das pesquisas que as pessoas realizavam no google indicavam que o resultado haveria de ser diferente, tal como Seth Stephen-Davidowitz escreveu em Everybody Lies.


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