Os robots estão na moda

Em primeiro lugar quero dizer que não tenho nada contra as novas tecnologias e os robots em particular. Tenho vários lá em casa. Um que faz comida, dois com quem o meu filho brinca e um destes dias dei comigo a olhar para um que aspira o chão sozinho. É verdade que as novas tecnologias têm muito para facilitar as nossas vidas em vários domínios. Mas as pessoas continuam a ganhar por larga margem nesta corrida. Seja na própria diversidade, e melhor dizendo neurodiversidade à capacidade de se adaptarem e não somente de aprenderem. Mas esta questão da neurodiversidade, agora na moda no mercado de trabalho precisa de ser globalmente reflectida por todos, talvez até com a ajuda dos robots.

São cada vez mais as empresas que estão a divulgar que a sua Organização tem uma politica pró neurodiversidade. Ou seja, a empresa tem práticas de integração profissional de pessoas com diagnósticos de Perturbação do Espectro do Autismo, Perturbação de HIperactividade e Défice de Atenção, Dislexia, entre outras. Tal como há alguns anos atrás, divulgar que a Organização tinha implementado um Sistema de Gestão da Higiene, Segurança e Saúde do Trabalho, um Sistema de Gestão da Qualidade, Ambiente, ou todos eles integrados, também foi moda. E passou inclusive a ser uma forma das Organizações crescerem no mercado e passarem a ser preferidas na altura de serem escolhidas como fornecedores, parceiras de trabalho, etc.


Também nestas áreas houve necessidade de regulação, inclusive porque se assistia a uma divulgação de algo que não estava propriamente a ser implementado. No que diz respeito à Neurodiversidade no local de trabalho também se verifica o mesmo. Esta implementação não passa pela contratação única de um colaborador com uma Perturbação do Espectro do Autismo ou outra condição do neurodesenvolvimento. Ainda que seja importante para esta pessoa estar integrada nos quadros da empresa. É fundamental que esta implementação possa ser reflectida e implementada na praxis da Organização como um todo. Até porque os relatórios de acompanhamento junto das Organizações que publicitam a neurodiversidade no seu local de trabalho tem reportado com frequência que as pessoas neurodiversas (PEA, PHDA, Dislexia, etc.) são frequentemente negligenciadas.


No mercado de trabalho, 1 em cada 7 pessoas são neurodivergentes. Mas também é verdade que 7 em cada 10 Organizações negligencia este grupo.


As pessoas neurodivergentes podem, no entanto, frequentemente trazer uma gama variada e magnifica de competências e uma perspectiva alternativa para o local de trabalho. Aqueles com PDAH, por exemplo, poderiam ter a capacidade de "hiper-foco" e se destacarem ao trabalhar com prazos apertados. Pessoas com PEA podem ter a capacidade de se concentrar por longos períodos de tempo e serem extremamente confiáveis. E aqueles com dislexia podem ter fortes habilidades verbais.


Mas, se sabemos toda esta informação, porque as Organizações não estão a ser capazes de implementar isso no espaço de trabalho. Quero acreditar que em muito disto se deve ao próprio processo de recrutamento ainda estar em muito a ser feito de forma igual para todos. Ou seja, independentemente de ser uma pessoa neurodivergente ou não, o processo de recrutamento é igual. E isto, a ser assim, só pode dar resultados menos bons e experiências invalidantes para pessoas que já têm um conjunto grande de outras experiências invalidantes ao longo do seu percurso escolar e/ou profissional.


Por exemplo, alguns empregadores perceberam que os métodos padrão de recrutamento, como entrevistas em painel, podem não funcionar tão bem para pessoas com neurodivergentes.


É fundamental que todos possamos trabalhar em conjunto e partilhemos o nosso saber e experiência para continuar a melhor a qualidade de vida de todos.

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