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Olha o viés

Normalmente a frase costuma ser - Olha o passarinho! Mas hoje gostaria de vos escrever sobre o impacto negativo que o viés sobre o autismo tem na atitude das pessoas. E que a redução desse mesmo viés tem um Impacto positivo, principalmente na inclusão social das pessoas autistas. Ao longo destes anos em que o autismo é conhecido e estudado, são várias as tentativas para se desenvolver programas de treino de competências sociais. Um dos objectivos destes programas passa por melhorar o sucesso social de crianças, adolescentes e adultos autistas, fornecendo competências sociais, principalmente ao nível da comunicação, mas não só. É uma abordagem possível, e que tem tido muitos resultados positivos na integração de bastantes crianças, adolescentes e adultos autistas. Mas ainda assim, continuamos a verificar um número significativo de situações em que crianças, adolescentes e adultos autistas não estão a ser incluídos socialmente. Para além de se ter começado a dar mais atenção ao fenómeno de camuflagem social e do seu impacto negativo no bem estar psicológico desta pessoas. E alguns arriscam a referir que parte desta ideia da camuflagem social poderá ser reforçada com esta ideia de as pessoas autistas aprenderem a desenvolver comportamentos sociais neurotipicos e a esconder aquilo que faz parte integrante do seu repertório. Dai que há algum tempo que se tem pensado num outro caminho. Ao invés de estarmos somente a capacitar as pessoas autistas a treinar competências sociais, também se tem equacionado sobre a importância de promover programas de sensibilização para promover a compreensão e aceitação do autismo entre pessoas não autistas. É provável que algumas pessoas dirão - Isso já é feito há muito tempo! O que não deixa de ser verdade. Mas será que tem sido feito da forma mais adequada? É que fazer acções de sensibilização sobre o que é o autismo com informação quase exclusivamente enquadrada naquilo que são os referenciais da DSM não parece ser suficiente. Mais uma vez porque continua a deixar um número significativo de pessoas autistas de fora. Por exemplo, as raparigas e mulheres continuam a ser grupo largamente discriminado neste processo de reconhecimento das suas características como pertencentes ao espectro do autismo. Mas as pessoas autistas que apresentam um maior nível de funcionalidade, normalmente compatível com uma Perturbação do Espectro do Autismo (nível 1), acabam por sentir dificuldades semelhantes. Desde o facto de se pensar que os autistas não têm ou não querem ter amizades, ou que não estabelecem contacto ocular, entre tantas outras, são muitas destas crenças que justificam a maior dificuldade sentida na comunidade autista em se sentir integrada. E como tal, talvez faça sentido dar mais força a esta ideia de ajudar a comunidade neurotipica (não autistas) a melhor compreenderem o espectro do autismo. E já agora poder contar com a colaboração de pessoas autistas nestes processos de sensibilização.


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