O amor está no ar

Estreou no dia 22 na Netflix Love on the Spectrum. Isso mesmo, um grupo de pessoas autistas adultas que procuram o amor. Comecei ontem a ver e estou muito agradado com a forma como a realidade está a ser transmitida. Consigo rever muitas das questões de algumas das pessoas que acompanho nos vários participantes. Assim como muitas das suas características comportamentais. Mas confesso que quando tomei conhecimento do reality show fiquei como os seus participantes, entusiasmado mas com receio de avançar. Mas volto a pensar que a minha primeira impressão foi positiva. E poder ver autistas adultos a falarem do que pensam e sentem relativamente à sua sexualidade, aos seus desejos e como os vêem é fundamental. Como pensam sobre a importância de ter um relacionamento amoroso, ao mesmo tempo que dizem que nunca tiveram nenhum, ou já os tiveram e todos eles foram um fracasso e causadores de grande sofrimento. Será um programa a seguir por todos, autistas e não autistas. Certamente irá ajudar a esclarecer muitas pessoas, principalmente estas últimas. De uma vez por todas sintam que a sexualidade e o desenvolvimento psicossexual é parte integrante de todos nós. E com isso, há todo um conjunto de manifestações, fisiológicas, verbais, cognitivas e afectivas que precisam de ser ajudadas a construir e desmistificar. O primeiro episódio dá um conjunto de pistas sobre um conjunto de questões que se pensava inexistente ou até mesmo difícil de conceber. Seja o desejo em querer ter uma relação romântica, facto que para muitas pessoas parece ser uma novidade. Até às questões da identidade de género, que muitas pessoas continuam a pensar que aquilo das pessoas autistas sentirem que são homossexuais, lésbicas, bisexuais ou transgénero tem tudo a ver com o facto de ser uma grande confusão para si e como tal deixam-se influenciar por algumas destas ideias. Mas é importante não esquecer que estamos a falar de um reality show, com tudo aquilo que as características de um tipo de programa destes têm. Será fundamental continuar a pensar em todo um conjunto de cuidados, seja para os próprios participantes, mas também para todos aqueles que vêem o programa. No caso da representação da comunidade autista, será importante no futuro que o programa possa ter ele próprio uma maior heterogeneidade, seja na raça, mas também nas questões de género. Além disso há que pensar na exposição que estes participantes têm e no impacto que ela terá na sua vida futura. Todos eles já foram vitimas de bullying ao longo de anos e a partilha de alguma desta informação, principalmente aquela mais pessoal pode vir a servir esse propósito. Tal como no amor, há sempre esta sensação de arrepio mascarado de receio, misturado com o borboletário na barriga, designativo da sensação boa de estar apaixonado, interessado em alguém e esse alguém em si. Também no amor acabamos por nos magoar, decepcionar e em alguns momentos querer deixar de acreditar que não é possível. Até agora, o que eu tenho visto, tudo isto tem estado presente, na forma única de cada um dos participantes o sentir. E isso também é amor!


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