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Não use a sua régua para medir os outros

Passamos grande parte da nossa vida a avaliar, medir ou comparar coisas. Fazemos isso com as nossas coisas mas principalmente com a dos outros. Há profissões inclusive em que a avaliação é um aspecto central, como é o caso da psicologia.

Não me vou debruçar sobre a avaliação psicológica, o seu surgimento e a importância para a psicologia, tendo esta ocupado uma posição central na afirmação da psicologia como ciência. Sejam exemplos disso o sucesso da avaliação psicológica, principalmente da avaliação da inteligência na sociedade norte americana na selecção de candidatos para a Primeira Grande Guerra Mundial. Ou então a avaliação da inteligência e da personalidade. Que como muitos outros conceitos ou construtos foram avaliados com outros instrumentos.


Gostaria de falar acerca da avaliação de alguns aspectos importantes no Autismo. Para além dos instrumentos usados para uma avaliação formal de uma Perturbação do Espectro do Autismo, nomeadamente ADI-R (entrevista aos pais) e ADOS-2 (observação com o cliente), há a necessidade de usar outros instrumentos. Nomeadamente, WISC ou WAIS para a avaliação cognitiva. Mas também outros aspectos salientes e que se prendem não só com o mal estar psicológico causado por algumas das características de um funcionamento tipico de PEA. Por exemplo, o Autista sofrer de sintomatologia depressiva em parte devido às suas dificuldades na interacção social. Mas que se prendem também com as comorbilidades psiquiátricas existentes associadas ao autismo. Como é o caso da Ansiedade.


Como em muitas outras situações ganhou-se o hábito de medir a Ansiedade com instrumentos que foram desenvolvidos e testados para tal através de metodologias rigorosas. E como tal se precisamos de medir a ansiedade no autismo pensamos que podemos igualmente usar estes instrumentos porque foram desenvolvidos para a ansiedade. Contudo, a ansiedade no autismo apresenta características algo diferentes e como tal estes outros instrumentos não parecem ser capazes de filtrar esses sinais determinando enviesadamente o projecto de intervenção psicológica e inclusive farmacológico. Porque se determina que não há a existência de ansiedade no autista. E o mesmo poderia ser dito para a depressão.


Cerca de 40% das crianças autistas apresenta ansiedade quando comparado com os cerca de 25% das crianças com um desenvolvimento normativo. Contudo, a manifestação da ansiedade no autismo pode apresentar-se por receios de puxar o autoclismo por exemplo. Mas o facto de haver dificuldades sociais marcadas ou comportamentos repetitivos também podem funcionar como máscaras para a ansiedade. Os instrumentos tipicos para medir a ansiedade baseiam-se grandemente nas capacidades da criança para expressar verbalmente as suas preocupações e isso raramente funciona com os autistas. Para tal será fundamental conhecer mais profundamente a manifestação da ansiedade no autismo para procurar saber como a medir e como tal compreender.

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