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Não, não quero falar de autismo!

Bom dia, o senhor é que é o Carlos Dias (nome fictício)? perguntavam uma senhora e um senhor que estavam vestidos de forma nada apropriada para o local. Encontravam-se na horta comunitária da cidade onde havia vários talhões de terra atribuídos às pessoas que os quisessem cultivar. Quem quer saber? perguntou Carlos levantando ligeiramente a cabeça, mas não desviando a atenção do que estava a fazer. Somos jornalistas e disseram-nos na entrada que o senhor Carlos estaria por aqui! disseram. É verdade, como podem comprovar! respondeu-lhes e continuou a fazer o seu trabalho. Podíamos falar consigo? perguntaram os jornalistas sem saber muito bem como continuar. Porque é que gostariam de falar comigo? perguntou-lhes já sem levantar a cabeça. Amanhã é dia Mundial da Conscientização do Autismo e gostaríamos de falar consigo! disseram. E porque é que gostariam de falar comigo? voltou a perguntar. Um dos jornalistas encolheu os ombros. Queríamos falar consigo sobre a sua experiência enquanto pessoa adulta com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo! avançou a jornalista. E porque é que gostariam de falar comigo? perguntou novamente no mesmo tom. Com esta entrevista que gostaríamos de fazer consigo queremos ajudar outras pessoas na Sociedade a saber o que é o autismo no adulto! acrescentou a jornalista. Vocês sabem o que é o autismo? perguntou-lhes Carlos. Daquilo que lemos percebemos que é uma perturbação do neurodesenvolvimento e mais frequentemente diagnosticada em rapazes e que se continua a saber pouco das suas causas! respondeu o jornalista desta vez. Acham-me com cara de perturbação do neurodesenvolvimento? perguntou Carlos sempre no mesmo tom. Claro que não! apressou-se a jornalista a responder pensando que o senhor Carlos estaria a ficar aborrecido. Vocês querem falar comigo ou querem falar com a perturbação do neurodesenvolvimento? continuou Carlos. Gostaríamos de falar consigo! respondeu a jornalista. E porque é que gostariam de falar comigo? perguntou novamente no mesmo tom. Porque disseram que o senhor Carlos é uma pessoa com diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo e nós gostaríamos de falar consigo para saber mais sobre o autismo no adulto! respondeu a jornalista. Não, não quero falar do autismo! Mas quando quiserem voltar para falar comigo terei essa disponibilidade! disse-lhes Carlos já levantado olhando para os jornalistas e com um cesto que trazia alguns dos legumes que tem vindo a cuidar.


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