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Não fique amarrado às suas ideias

Somos todos únicos, certo? Diferentes uns dos outros, correcto? Mas porque razão parece que continuamos a ter necessidade de arrumar algumas coisas no mesmo saco. Porque será que há uns mais únicos do que outros? E porque é que no Autismo isto parece acontecer com tanta frequência?

Quero começar por dizer que é importante termos ideias. E pensarmos que as nossas ideias são coerentes e dão sentido à nossa vida, à nossa existência e ao ambiente envolvente com que contactamos no quotidiano. Fomos crescendo a aprender a dar significado aos acontecimentos e a arruma-los em determinados compartimentos. Se alguém mostra disponibilidade para ouvir as pessoas de uma maneira geral parece ser uma pessoa que gosta de ajudar as pessoas. É apenas um exemplo, mas é apenas para exemplificar o que quero dizer. A questão é que são muitas as vezes que não sabemos e nem sequer temos disponibilidade para compreender o porquê da pessoa em questão ter aquele comportamento. Qual? Às vezes já nem nos lembramos! O de se disponibilizar para ouvir as pessoas! É porque por vezes a pessoa pode simplesmente ouvir mais frequentemente as pessoas porque tem dificuldade em ela própria falar sobre aqueles assuntos ou até mesmo falar sobre si. Ou seja, eu posso colocar a pessoa num determinado comportamento mas na verdade ela pode pertencer a outro. Certo? Já nos aconteceu muito, correcto?


No Autismo também acontece e não é pouco. Todos achamos de uma maneira geral que sabemos o que é o Autismo. E a Revolução Industrial ou a Guerra Fria. Ou sobre a crise dos refugiados. E até mesmo ter uma explicação para o aparecimento das fake news ou porque o Trump ganhou as eleições. Parece que gostamos de fornecer explicações. Uns mais do que outros mas parece transversal à espécie humana. E além de fornecer explicações parece que acreditamos fervorosamente nelas e em muitos casos defendemos as mesmas com unhas e dentes. E ainda por cima hoje em dia não há problema com isso. Porque podemos colocar unhas de gel e fazer implantes dentários!


Achamos que sabemos o que é o Autismo. Até porque já lemos a DSM 5 e a 4 também. E já vimos uma publicação recente sobre a ICD 11 e fomos a duas ou três conferências de alguns especialistas. E como tal fomos construindo a nossa ideia e representação mental do que é o Autismo. Deficit na interacção e comunição social acompanhado de comportamentos repetitivos e interesses restritos, etc. Não é que tenha algum mal ter conhecimento acerca desta informação. Porque não tem. A questão é não nos deixarmos ancorados à mesma e fazermos dela uma tábua com todas as leis acerca do Autismo independentemente de estarmos a falar de crianças, jovens ou adultos. Ou até mesmo de homens versus mulheres. E claro, sobre diferentes tipos de gravidade. O que é isso de PEA nível 1, 2 ou 3? E Síndrome de Asperger ou Autismo de Alto Funcionamento? E os autistas podem ter família ou ir para a Universidade? E ter filhos? E se sorrio ou tenho amigos quer dizer que já não posso ser Autista?


A Neurodiversidade é o conceito que parece ir ao encontro desta questão. Este conceito refere-se à ideia de que todos nós somos únicos e que não nos encaixamos num pacote neurológico normativo que é igual para todos. Quer saber mais? Desamarre a sua cabeça a todo um conjunto de ideias formatadas e arrisque compreender.

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