Não é uma pausa qualquer

Hoje é o dia mundial da menopausa. E porque falamos disso aqui? Porque continua a haver muito que se desconhece na vida das pessoas adultas autistas, principalmente das mulheres. Estas lutam frequentemente com o inicio da menstruação, um ponto fulcral na transição na vida reprodutiva feminina. Reportam que durante este período, as sensibilidades sensoriais estão aumentadas, tornando-se ainda mais difícil pensar de uma forma clara e controlar as emoções. Tendo que lutar ainda mais com a sua vida quotidiana e com o auto cuidado. Mas pouco ou nada se sabe sobre como as mulheres autistas lidam com a transição para a menopausa a meio da vida. E se nas mulheres não autistas, a menopausa traz muitas mudanças físicas e sintomas desafiantes, desde os afrontamentos a sentir-se mais ansiosa e deprimida. Tendo em conta que as mulheres autistas já são mais vulneráveis ao suicídio, à saúde física e mental precária. Além de terem que se debater com maiores dificuldades no planeamento, controlo das suas emoções e a luta contra a mudança, a menopausa pode ser um momento especialmente desafiante. A falta de compreensão sobre o tempo de vida específico das mulheres autistas é impressionante, não se considerando os riscos particulares de saúde e mortalidade inerentes ao facto de serem biologicamente femininas. Muitos destes riscos específicos das mulheres estão associados a pontos de transição reprodutiva: tempos em que uma reorganização importante dos sistemas neuroendócrinos dá origem a alterações fisiológicas e psicológicas, e em que a exposição ao stress e a outros factores ambientais tem um impacto acentuado na saúde e no bem-estar. Os relatos dos cuidadores sugerem que a dismenorreia (períodos dolorosos) e a disforia pré-menstrual são comuns. E a automutilação, o comportamento repetitivo e a sensibilidade sensorial aumentam em torno da menstruação. As mulheres autistas corroboram o agravamento 'dramático' das suas capacidades comunicativas, desregulação emocional e sensibilidade sensorial. E as mulheres autistas não verbais podem estar dependentes do reconhecimento pelos seus apoiantes de sinais de dor, angústia e desconforto durante ou antes da menstruação. Por volta dos 50 anos, a mulher começa a entrar neste período designado de menopausa, caracterizado pela ausência de menstruação por um período de 12 meses. Dentro do período de transição e após a menopausa, as mulheres experimentam uma série de sintomas conhecidos seus, como síndrome climatérico, que podem durar entre 4 e 8 anos. Estes estão enraizados em alterações hormonais que afectam múltiplos sistemas neurotransmissores, incluindo serotonina, acetilcolina e ácido gama-aminobutírico (GABA). As repercussões cognitivas são sentidas nas dificuldades relatadas com a memória e as funções executivas. Há um aumento das taxas de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas, talvez parcialmente sustentadas pelos efeitos da menopausa no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), que controla a resposta ao stress. A perimenopausa e a menopausa estão também associadas a uma série de sintomas fisiológicos e riscos de saúde a longo prazo que, juntamente com o humor e as alterações cognitivas, afectam as relações, a vida diária, o desempenho no trabalho e o bem-estar geral. Consequentemente, muitas mulheres temem a menopausa e estas atitudes são importantes, tal como o ambiente social. A resistência aos sintomas da menopausa está associada a um forte apoio social, optimismo, estratégias de sobrevivência não evitáveis e à não existência de uma história de doença psiquiátrica. O certo é que a menopausa nas mulheres amplia e chega a gerar novas dificuldades com as sensibilidades sensoriais, comunicação e regulação das emoções na vida quotidiana. Além de lhes passar a ser também difícil identificar o seu próprio normal, tendo em conta a falta de conhecimento, interesse e apoio por parte dos profissionais de saúde. Algumas mulheres autistas sentem que a entrada na menopausa as leva igualmente a sentir uma maior dificuldade em manterem a sua "máscara". É fundamental continuar a olhar para o Espectro do Autismo ao longo do ciclo de vida e pensar nas questões quotidianas das pessoas.


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