Não é por morrer uma andorinha que se acaba a primavera

Ainda se lembra da primeira vez que aprendeu algo sobre sexo? Ou quando os seus pais quiseram ter "a conversa"? A sexualidade é uma parte integrante da vida de cada um de nós. Mas e quando falamos de sexualidade no autismo? A nossa abordagem muda? E se sim, porquê?

Com o inicio da primavera não é apenas os níveis de polinização que aumenta. É costume ser referido que com o inicio desta estação que os níveis de libido parecem aumentar e os comportamentos sexuais passam a ter um aumento na sua frequência.


A sexualidade é uma parte integrante da vida de cada um de nós. Contribui para a sua identidade ao longo do ciclo de vida, assim como para o seu equilíbrio físico e psicológico. A Organização Mundial de Saúde já se referia nos anos 90 do século XX relativamente à sexualidade enquanto "uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade, que se integra no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo sexual; ela influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental".


Como tal, todos nós temos a nossa sexualidade. Sublinho, todos nós. Como tal é importante que a mesma seja tida em conta no processo de crescimento. E que as abordagens ao tema junto das crianças e jovens para a sensibilização do tópico, mas também da importância da mesma na vida da pessoa. Ou da abordagem de questões como o inicio da actividade sexual, gravidez na adolescência, abuso sexual, etc. também possam ser tidos em conta. Sublinho, para todos nós. Isto porque quando falamos de sexualidade no Autismo parece não só um tema tabu mas também inexistente, como se não fizesse sentido ser abordado. Porquê? Por serem autistas!


Os Direitos Sexuais e Reprodutivos são uma componente dos Direitos Humanos universais, referentes à sexualidade, saúde sexual e saúde reprodutiva que emanam de direitos de liberdade, igualdade, privacidade, autonomia, integridade e dignidade para todos os seres humanos. A fim de assegurar que todas as pessoas desenvolvam uma sexualidade saudável, os direitos sexuais e reprodutivos devem ser reconhecidos, respeitados, promovidos e defendidos por toda a sociedade.


Assuntos que se referem a comportamentos que implicam relações, proximidade, interesse pelo Outro nomeadamente romântico ou sexual, masturbação, etc. Estes assuntos parecem não ser considerados em boa parte por se pensar que os Autistas não o sentem. Não sentem desejo, vontade em ter relações ou que não se masturbam. E se tiverem filhos como é que irão conseguir tomar conta deles? As formas de negar os direitos sexuais e reprodutivos nos Autistas são muitas e variadas.


As características presente no Espectro do Autismo não são nem devem ser esquecidas quando abordamos a questão da sexualidade. Muitos jovens com PEA têm determinada dificuldade na expressão da sua sexualidade de uma forma satisfatória. Consequentemente enfrentam questões como relações intimas reduzidas, baixa auto-estima, aumento do isolamento social, episódios de desregulação emocional, frequência da actividade sexual reduzida e uma saúde sexual mais limitada. Como tal é fundamental apoiar no conhecimento acerca da sexualidade não apenas para os ajudar a alcançar uma vida sexual satisfatória mas também para os ajudar a proteger de enviesamentos de interpretação, abuso, gravidez não desejada, doenças sexualmente transmissíveis, etc. Para não falar de que também tem implicações positivas nos problemas de isolamento social e da auto-estima.

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