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- It's a date, he says. What date, she ask? Today is november 20, he replies!

"Luís está um pouco desconfortável e confronta Marta.". Uma situação bem típica de "casados à primeira vista". Bem sei que falta algum tempo para o dia 14 de fevereiro e o Santo António ainda tarda. Mas até lá as pessoas continuam a sentir atracção, paixão, desejo em ter uma relação. Sejam pessoas fora ou dentro do espectro do autismo. E tal como muitos de nós já tiveram as suas dúvidas em determinadas situações ou relações, sabemos que no espectro do autismo não é diferente. Por isso decidimos "atirar esta seta". Vamos ver até onde ela vai.

Parecemos necessitados de pertencer. Pertencer a algo, a alguém. Esta necessidade é uma necessidade humana fundamental para formar e manter pelo menos uma quantidade mínima de relacionamentos interpessoais duradouros, positivos e significativos. Satisfazer essa necessidade requer várias coisas. Por exemplo, interações positivas e frequentes com os mesmos indivíduos. Mas também participar dessas interações dentro de uma estrutura de cuidados e preocupações estáveis ​​a longo prazo.


Apesar da atração e entusiasmo de mudar de parceiro romântico, a necessidade de algumas interações estáveis ​​e cuidadosas com um número limitado de pessoas é um imperativo maior. Os seres humanos são naturalmente levados a estabelecer e sustentar este sentimento de pertença. Portanto, as pessoas geralmente devem ser pelo menos tão relutantes em romper os laços sociais quanto estão ansiosas para formar esses laços. Eles argumentam ainda que, em muitos casos, as pessoas relutam em dissolver até mesmo relacionamentos destrutivos. A necessidade de pertencer vai além da necessidade de laços sociais superficiais ou interações sexuais; é uma necessidade de vínculo significativo e profundo. Um sentido de pertença que é crucial para o nosso bem-estar.


Mas este caminho das relações tem etapas mais acidentadas e que fazem parte do processo para todos nós. Mas quando as pessoas que procuram trilhar este caminho têm um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) os acidentes parecem ser em maior frequência. Associado a isto há o facto das crenças e mitos que permanecem em relação a este grupo. Desde o não estarem interessados em relações amorosas e românticas até ao serem vitimas fáceis neste tipo de relações, há de tudo um pouco. E uma boa parte disto não corresponde à verdade. Apesar de algumas das suas características poderem colocar um desafio na relação. Seja porque as suas dificuldades na leitura das pistas sociais ou faciais poderem transmitir uma ideia de não estarem atentos ao que está a acontecer. Ou porque as suas hipersensibilidades colocam determinado tipo de entraves. A sua interpretação literal pode levar ao surgimento de mal entendidos. E tudo isto pode levar a um aumento na activação e subsequentemente na ansiedade e isso despoletar uma maior desregulação emocional. Apesar de todo este cenário nada disto invalida que a pessoa goste, queira estar, se sinta enamorado, interessado, etc.! Até porque são muitas as pessoas do espectro do autismo que procuram relações amorosas.


E aquilo que procuram não é nada diferente do que qualquer um de nós. Seja procurarem uma pessoa que os compreenda e seja gentil, que tenha um conjunto de interesses em que alguns sejam comuns ou partilhados, estejam preparados para um compromisso, aceitem a pessoa do outro tal como ela é, entre outros. Como pode ver não há nada de tão diferente de qualquer outra pessoa.


Um canal de Televisão na Austrália criou uma versão de "casados à primeira vista" em que um conjunto de participantes são adultos com Perturbação do Espectro do Autismo [ver link - https://iview.abc.net.au/show/love-on-the-spectrum]. Se verificarem em muitos dos vídeos disponíveis irão perceber que muitas das crenças anteriormente referidas não fazem de todo sentido. É importante poder referir à pessoa do espectro do autismo a importância de na relação poder falar acerca da sua condição. É compreensível que a pessoa se possa sentir assustada em ter de o fazer. Sentindo que essa informação possa comprometer o próprio inicio ou continuação da relação. Contudo, algumas das próprias características da pessoa poderão ser mais difícil de compreender fora de um quadro do espectro. Como tal, este assumir ajudará a enquadrar estas dificuldades e a transforma-las em características que fazem parte da identidade da pessoa.

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