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Força de trabalho

A imagem apresentada mostra algumas semelhanças ao seu local de trabalho? Consegue detectar qual das pessoas presentes na imagem tem um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo?


O universo da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) continua em constante mudança. Não apenas na possibilidade de mais precocemente conseguirmos fazer um diagnóstico de PEA. Mas também de existir mais e melhores técnicas e modelos de intervenção a nível psicológico para esta condição. O facto de haver uma maior consciencialização na Sociedade a nível global para o que é o Autismo e a compreensão das suas necessidades. Mas também na própria comunidade Autista haver uma voz crescente que faz notar a sua auto-determinação. Todas estas variáveis fazem com que as pessoas Autistas estejam a chegar a locais onde até há bem pouco tempo parecessem inacessíveis.


São cada vez mais as pessoas Autistas a chegar à Universidade e a conseguir concluir a sua formação superior. São cada vez mais as pessoas Autistas a chegar ao mercado de trabalho não apenas com desejo em participar activamente mas também com competências profissionais e ferramentas capazes de desempenhar as funções e actividades solicitadas.


O presente não é assim tão risonho quanto possa entender dos parágrafos anteriores. Ainda que exista de forma clara uma mensagem de esperança ancorada no desejo de contribuir de muitas pessoas para a mudança necessária. Continuam a ser muitas as pessoas Autistas que continuam a desistir da Universidade ao fim de algum tempo de insucesso e sem a ajuda necessária. São cerca de 60% aqueles que entram no Ensino Superior e que desistem ao fim de 1-2 anos. No mercado de trabalho os números não são diferentes e continuam a ser muitas as pessoas Autistas que não vêm reconhecidas as suas competências para integrar no mercado de trabalho. Ou então que estão a trabalhar mas em situações precárias de estágios contínuos e pouco dignificantes do Ser Humano.


É fundamental continuar a trabalhar na identificação precoce da PEA e continuar a capacitar a pessoa Autista com ferramentas ao nível das competências sociais mas também de soft skills. Ou seja, precisamos de capacitar a pessoa Autista para poder estar equipada para lidar com a realidade existente mas também estar capacitada para autonomamente construir o seu projecto de vida. Para tal precisamos de adaptar as intervenção às situações reais. Ou seja, abandonar intervenções standardizadas ainda que estejam validadas e procurar trazer para estas ferramentas que façam sentido às pessoas Autistas.


Mas também é fundamental continuar a consciencializar a Sociedade para o que é o Autismo e as suas características - necessidades e dificuldades mas principalmente as competências e mais valias que apresentam e podem vir a adquirir. É imperativo consciencializar a Sociedade para a tolerância e os valores de respeito pela Condição Humana e a necessidade de participar activamente ao longo do ciclo de vida. Nomeadamente na participação no mercado de trabalho e na construção de um projecto de vida adulta autónoma e independente.


É muito necessário ajudar o tecido empresarial, as Organizações e as pessoas que as gerem a tomar consciência do Autismo para além das crenças e dos mitos demasiado enraizados. Demonstrar ao mercado de trabalho que o respeito para a Neurodiversidade e a adaptação do local de trabalho às diferentes maneiras de trabalhar e às diferentes potencialidades de cada pessoa significa um crescimento para todos e não apenas para a pessoa Autista. Um local de trabalho que respeite as hipersensibilidades auditiva, olfactativa, visual, etc. Um Organização que procure adaptar os horários de realização das tarefas ao melhor funcionamento dos seus colaboradores irá certamente ser uma mais valia para o processo de trabalho com impacto directo no outcome, mas também para a pessoa Autista e para os demais colaboradores.


A imagem apresentada mostra algumas semelhanças ao seu local de trabalho? Consegue detectar qual das pessoas presentes na imagem tem um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo? Já conseguiu responder a estas duas perguntas? Muito provavelmente o seu local de trabalho apresenta algumas semelhanças à imagem e quase de certeza que não consegue detectar qual das pessoas é Autista.O Autismo não é detectável dessa forma na pessoa e além disso as pessoas Autistas apresentam um conjunto de competências iguais, semelhantes, superiores e/ou inferiores a muitos de nós. Ou seja, são pessoas que apresentam um conjunto de características comportamentais. Sejam aquelas pertencentes aos critérios de diagnóstico mas também características correspondentes à condição de Ser Humano. São pessoas que apresentam um conjunto de dificuldades mas principalmente de potencialidades e que necessitam de um trabalho conjunto e colaborativo como qualquer um de nós para crescer.

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