Fecho do 3º trimestre: a neurodiversidade compensa

O Taylorismo marcou um período grande das Organizações, insistindo num maior ênfase nas tarefas, objectivando o aumento da eficiência ao nível operacional. A necessidade de formatação dos colaboradores para trabalhar em unidades de produção. Os processos foram tornando-se mais complexos e variados, necessitando de uma mão de obra especializada mas igualmente criativa. O ser diferente foi sendo posto à parte como algo divergente e que haveria de causar dificuldades. Hoje, cada vez mais Organizações aposta na empregabilidade inclusiva. E pelos visto compensa!

A neurodiversidade, ou melhor dizendo, a forma diferente como o nosso cérebro processa a informação, passou a estar cada vez mais em voga. Principalmente porque tem trazido um grupo de pessoas que durante muitos anos foi relegado para último plano. Estamos a falar de pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), Dificuldade de Aprendizagem Específica (DAE) entre outras. Estas pessoas, devido às suas características comportamentais e principalmente devido à forma diferente como o seu cérebro processa a informação tem-se tornado num estudo de caso dentro da empregabilidade inclusiva.


Ou seja, as pessoas das próprias comunidades com estes diagnósticos, conjuntamente com outros clínicos têm procurado compreender como trabalhar a integração socio profissional das pessoas com estas condições. Algumas Organizações que há uns anos se ofereceram para realizar estudos piloto hoje estão capazes de afirmar o quanto importante se tornou para a Organização e respectivos colaboradores, mas principalmente para as próprias pessoas com estas condições e sua família e também a Sociedade. Ou seja, as empresas têm procurado avaliar alguns dos indicadores pré e pós contratação de pessoas com PEA, PHDA, DAE, entre outras. Os resultados têm demonstrado uma melhora na saúde financeira e de bem estar da sua Organização.

Até recentemente, o Zé Carlos (nome fictício) de 28 anos, lutava para manter o seu emprego num café. A sua condição - Perturbação do Espectro do Autismo, diagnosticada aos 12 anos, vai acompanha-lo ao longo da sua vida. Ele tem e vai continuar a dificultar-lhe a sua comunicação social. Ao longo dos anos de intervenção ele foi aprendendo uma verdadeira enciclopédia de expressões e respostas correctas para a maioria das situações sociais. O Zé Carlos refere que ter que lidar com colegas, clientes e um ambiente barulhento era realmente desgastante para si. Bem como ter de mascarar características do seu autismo e ter que se comportar de maneiras que não são naturais para si exige esforço constante. A sua e produtividade foram prejudicadas ao longo destes anos e os sitios onde trabalhou também.


Ele agora teme estado a trabalhar num escritório de uma grande empresa, depois de um dos gestores ter ficado com interesse em contratar colaboradores com PEA. Este gestor tinha estado presente numa das muitas conferências a que assiste anualmente e numa delas ouviu falar da neurodiversidade e das competências com condições como PEA; PHDA e DAE. Decidiu então experimentar a empregabilidade inclusiva O seu trabalho passou a ser o de limpar e inserir grandes quantidades de dados financeiros dos clientes dessa Organização antes de serem analisados ​​pelos auditores. Ele sente que está a progredir, principalmente pela natureza repetitiva do trabalho, refere e porque ele usa sua capacidade de detectar inconsistências nos dados. Diz frequentemente que "Quando há um erro em uma enorme folha de dados, isso me impressiona", diz ele, comparando isso com o modo como uma pessoa neurotípica pode encontrar um rosto familiar na multidão. "Tornei-me a pessoa preferida na equipa para verificar os dados antes que eles saiam para os auditores, como quando há erros, é como se eles tivessem sido destacados apenas para eu encontrar.".


Esta Organização é um dentre um grupo crescente de outras empresas globais e que incentiva activamente as pessoas com PEA, PHDA e DAE a se unirem às suas forças de trabalho. A contratação de trabalhadores autistas foi popularizada pela primeira vez pelo grupo alemão de TI e software SAP em 2013, com sua rival Microsoft logo seguindo o exemplo. Outros grandes empregadores que administram esses programas incluem o banco JPMorgan e Ford Motor nos EUA e o Auto Trader e o grupo de telecomunicações BT na Grã-Bretanha.


Estas empresas têm continuamente demonstrado que a integração de pessoas com estas condições tem melhorado a saúde financeira e de bem estar dos seus colaboradores. É verdade que estas mesmas Organizações têm tido parceiros de excelência no acompanhamento deste processo, tal como o PIN tem estado a procurar desenvolver junto de algumas empresas piloto. Em Inglaterra a Autistica e mais a nível global a Specialiesterne tem desenvolvido um conjunto de esforços e de apoio às Organizações para melhor implementar estes processos de empregabilidade inclusiva. Mas também do acompanhamento do próprio processo ao longo do tempo, seja junto do colaborador com estas condições mas também dos colaboradores que mais perto contactam com eles e a empresa num todo. O PIN nestes últimos meses tem desenvolvido um conjunto de esforços junto do tecido empresarial Português precisamente para sensibilizar as Organizações para as mais valias das contratação de pessoas com PEA, PHDA ou DAE.

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