Eu é que sou o presidente da junta!

Há quem defenda o autismo como uma condição médica. Outros referem-na como uma condição, uma diferença. Os arremessos de "adjectivos" entre ambos chegou a certos limites impensáveis. Há quem se pergunte até que ponto tudo isto não estará a prejudicar ou desproteger os autistas (ponto).

Todos têm direito a sentir e a pensar o que é para si o Autismo. Seja o próprio Autista enquanto criança, adolescente ou adulto. Mas também a sua família, professores, clínicos e investigadores. É certo que uns estarão ancorados em determinados pressupostos científicos ao considerar sobre o tema. Penso claramente nos clínicos, investigadores e professores. Ainda que qualquer um destes técnicos sejam também seres humanos não deixam de estar investidos deste outro papel (ainda assim).


Todos (uns mais do que outros) sentem e pensam que aquilo que sentem e pensam o que para si representa o Autismo é a verdade ou o que deveria ser consensual. E aqui as brechas entre as diferentes facções começam a ser visíveis.


Este ano estreou em Londres a peça "All in a row" (Alex Oates) que aborda os dramas mais ou menos típicos de uma família. O filho jovem desta família com 11 anos de idade representa um autista não verbal e algumas vezes agressivo. A questão, ou pelo menos uma das questões, passa por esta personagem ser representada por um boneco de tamanho real à idade da personagem representada, ao contrário das restantes personagens no elenco.


Se pesquisarem sobre o tema irão encontrar um conjunto de diferentes ideias acerca da peça, pró e contra, mas também outras questões que surgem associadas ao tema.


Para além de haver quem se tivesse começado por insurgir contra o facto da única personagem representada por um boneco ser o autista. Também houve quem tivesse elogiado o facto do escritor ter tido a coragem de colocar uma personagem autista na peça. De ambos os lados estão pessoas autistas ou familiares de pessoas autistas, mas também cientistas e clínicos que trabalham na área.


Um ponto interessante que ocorre à boleia desta celeuma é a de alguns autistas e familiares de autistas insurgirem-se contra o facto de algumas das Organizações pró-autismo apenas defenderem no seu movimento de neurodiversidade um espectro mais funcional e que não parece representar os casos de autismo mais grave (nível 2 e 3). Se por um lado reconhecem que o autismo é caracterizado por uma grande heterogeneidade. E que a sociedade precisa de a reconhecer para melhor compreender o que é o autismo. Também defendem que pode ser contraproducente passar a mensagem da neurodiversidade associada a um perfil mais funcional.


Casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, diz a sabedoria popular. Todos têm razão. Os que proclamam a necessidade de se olhar para o espectro como uma melodia de características e não apenas como um conjunto fechado de critérios de diagnóstico. E da importância de olhar para o espectro mais funcional que não está a ser diagnosticado e que acaba por ter um percurso de vida pautado de grande sofrimento psicológico. Mas também dos que referem a necessidade de se continuar a olhar para os níveis para disfuncionais no autismo como fazendo parte do mesmo e que continuam a precisar de ser tidos em conta.

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