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E você, está preparado?

Quantas pessoas autistas adultas estão empregadas? E em que condições? E as que não estão empregadas, por que razão não o estão? E o que falta fazer ao nível das empresas para que as pessoas autistas possam passar a fazer parte dos seus quadros?


Muitas perguntas? Compreendo. São muitas as dúvidas, acreditem. E são muitas as pessoas autistas que estão em situações precárias, mesmo quando comparado com outras pessoas com deficiência e que habitualmente conhecem as dificuldades que aqui falamos. Volto a escrever - na Europa são cerca de 5 milhões de pessoas autistas!


No Reino Unido fala-se em cerca de 70% das pessoas autistas adultas que se encontram desempregadas. E não será por acaso que este ano foi aprovado um pacote de cerca de 2.7 milhões de libras para dar uma resposta a esta situação. Na Austrália falam que são cerca de 34% das pessoas autistas adultas que se encontram nestas mesmas condições. E cá em Portugal, quantos são aqueles que se encontram em condições semelhantes? Não sabemos. E como não sabemos não temos uma resposta adequada a fornecer a estas situações. E não, não venham dizer que a Lei 4/2019 que estabelece cotas para as pessoas com deficiência na entrada para as empresas responde a estas situações. E porquê? questionam muitos. Por que muitas pessoas autistas não são consideradas dentro do que está estipulado pela legislação e não apresenta um nível de incapacidade igual ou superior a 60%.


Como tal, temos pessoas autistas adultas em Portugal que tendo cumprido a escolaridade obrigatória, muitos realizado uma formação profissional que lhes atribui uma certificação profissional, e outros tantos realizado uma formação ao nível do Ensino Superior, continuam sem conseguir saltar este obstáculo para o mercado de trabalho. E com todas as implicações que esse facto tem para a saúde mental e física da pessoa, para além da sua autonomia, independência e dignidade humana.


E não, não estou a esquecer de todas as empresas que já vão fazendo uma contratação inclusiva e que têm inclusive no funcionamento da sua Organização uma politica claramente compatível com um funcionamento neurodiverso. Mas garanto-vos que não está a chegar a 1% da população autista adulta. E não está a abarcar a própria heterogeneidade de formação existente nas pessoas autistas. E para quem não sabe ou ainda continua a acreditar, as pessoas autistas não são todas pró tecnologia, teckies, geeks da informática e da programação. Ainda que muitos possam ser ajudados a ser reconvertidos do ponto de vista da sua formação e profissão para que possa integrar mais fácil e rapidamente o mercado de trabalho. Contudo, precisamos de pensar que as pessoas têm o direito à escolha da área onde querem trabalhar.


Então, estão preparados? E não, não me estou a dirigir às pessoas autistas!


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