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Driving miss Daisy: Uma boleia com um autista encartado

Tirei a minha carta de condução em 1993. apesar de me parecer uma eternidade lembro-me bem da importância que teve, pessoal, social e profissionalmente. Os receios anteriores aos exames de código e condução foram iguais a tantos outros jovens dessa altura e de então. O meu primeiro cliente autista de há uns anos atrás que me colocou a questão de tirar a carta de condução levou-me a pesquisar sobre o assunto. A viagem foi rápida...

Parece haver muito a ideia de que o facto de ser autista é por si só uma limitação automática para a grande maioria das coisas. E a tarefa de tirar a carta de condução e conduzir é uma delas. Ao longo destes anos tenho assistido a um número cada vez maior de clientes meus (jovens adultos autistas) que se candidataram a tirar a carta de condução e a obtiveram com sucesso.


As barreiras são muitas e nem todas elas vêm da parte deles. Um primeiro obstáculo tem a ver com o facto de muitos jovens continuarem a eles próprios não verem beneficio em tirar a carta por não sentirem necessidade de se deslocarem por razões sociais, pessoais e até profissionais. Sendo que os pais/cuidadores continuam muitas das vezes a assegurar este processo. A deslocação em transportes públicos continua a ser difícil em muitos deles para além de outras dificuldades da própria rede de transportes em muitos locais do nosso país. Uma outra barreira vem da própria família que sente receio dos filhos virem a conduzir e poderem causar algum acidente. Em algumas famílias a própria percepção acerca da capacidade do seu filho é desfasada face à real capacidade dos mesmos. É compreensível da parte dos pais esta preocupação face aos riscos envolvidos e como tal precisam todos, pais e filhos de serem ajudados no processo. Mas as escolas de condução e o próprio processo em si é limitador. Principalmente pelas próprias escolas e os instrutores não estarem capacitadas para os perfis destes jovens.


A transição da adolescência para a idade adulta é sentida como um desafio significativo para todos e os autistas em particular. Principalmente relacionado com a coordenação de cuidados, acesso a recursos e obtenção de uma vida independente. Durante a transição pós-secundário, mais de 50% dos adolescentes autistas nos EUA não relatam terem participação num emprego remunerado ou educação pós-secundária. Além disso, 1 em cada 4 jovens autistas relatam experimentar situações de isolamento social. O acesso limitado ao transporte pode contribuir exclusivamente para reduzir as oportunidades de formação profissional ou ocupacional, restringir o envolvimento social e comunitário e desafiar o estabelecimento de uma vida independente para indivíduos autistas.


Embora a taxa de atribuição de carta de condução para adolescentes autistas sem diagnóstico de deficiência intelectual seja menor do que a observada em adolescentes não autistas, existem estudos que demonstram que 1 em cada 3 adolescentes autistas adquire a carta aos 21 anos de idade.


Há no entanto um conjunto de desafios que os adolescentes autistas colocam devido a algumas das suas características. Por exemplo, ao nível das tarefas que envolvem a memória de trabalho/imeadiata, multitarefas e funcionamento executivo. São todos processos cognitivos que quando comprometidos justificam um baixo desempenho de condução em simuladores de direção em comparação com outros adolescentes.


Esses desafios e deficit de desempenho podem exigir instruções personalizadas para desenvolver a habilidade e capacidade dos adolescentes autistas de procurar com segurança uma vida independente. Dado o potencial de conduzir para apoiar a independência, é fundamental procurar entender o processo de ensinar adolescentes autistas a conduzir. Estar capacitado para conduzir aumenta a independência e a mobilidade de adolescentes e jovens adultos, viabilizando viagens para locais de emprego, escola e atividades sociais - e, portanto, pode ajudar a superar as barreiras e dificuldades encontradas na transição para a adolescência para adolescentes autistas.


É fundamental destacar a necessidade do envolvimento dos pais para apoiar o processo de aprendizagem a conduzir e promover a independência necessária para executar instruções de direção altamente individualizadas. Devem haver esforços para aumentar o acesso das famílias a ferramentas para promover a prontidão para conduzir e estabelecer melhores práticas para os instrutores poderem melhorar a eficiência e a padronização do processo de ensinar a conduzir.

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