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Discos riscados

Muitos pensarão que a foto deste texto parece uma capa de um LP de algum grupo rock dos anos 80, certo? Mas como podem ver na fotografia, os High Tension lançaram a música Sweet Fourteen em 2000. O que para alguns isso representa o mesmo que uma eternidade, correcto? A dimensão temporal e a sua percepção é diferente para cada um de nós. Mas a realidade tem essa capacidade de nos ancorar, e quando tendemos a não a olhar, frequentemente comentemos erros.


Não vos vou falar de música e muito menos dos High Tension. Quanto muito falaria dos AC DC e do album Highway to Hell. O que na verdade vai dar ao mesmo quando vos disser aquilo que quero.


Foi recentemente publicado “A systematic review and meta-analysis on the prevalence of mental disorders among children and adolescents in Europe”. E que numa frase resume aquilo que deverá ser uma preocupação de todos nós. A grande maioria das perturbações mentais surgem por volta dos 14 anos de idade, e muito frequentemente, a grande maioria destas fica sem ser diagnosticada até à vida adulta. Cerca de uma em cada cinco crianças na Europa tem um diagnóstico de uma perturbação mental. Sendo que as perturbações de ansiedade são aquelas que estão na dianteira deste número. Seguido da perturbação de hiperactividade e défice de atenção, perturbação do humor e perturbação do espectro do autismo.


É preciso pensar que nos países europeus as crianças e jovens seguem as suas consultas habituais e de rotina junto do médico de família e clinica geral, pediatra ou outro especialidade médica ou psicológica. Contudo, o rastreio destas situações psiquiátricas na saúde mental infantil e juvenil parecem não estar a ser detectadas e ou devidamente valorizadas.


As leituras morais e sociais continuam presentes. Isso são coisas da adolescência! Vão ver quando chegar à fase adulta isso já passou! Estas e outras frases semelhantes continuam a ser ouvidas em vários contextos. E a enquadrar comportamentos já em si problemáticos ou que apontam para a possibilidade de se virem a tornar. Outros aspectos mais relacionados com o estigma face à saúde mental tem tido uma igual participação no adiar de um pedido de ajuda.


A saúde mental infantil e juvenil necessita de ter uma resposta diferente, nomeadamente nos programas de rastreio nos serviços de saúde públicos e que possa atempadamente fornecer indicadores de um trabalho de intervenção precoce. Mas também continuar a lutar pela implementação de mudanças que ajudem a prevenir estas mesmas situações, ajudando a criar um ambiente promotor de melhor qualidade de vida. Além de se insistir nos programas de sensibilização e combate ao estigma face à saúde mental. E melhorar as respostas de saúde e diminuir as desigualdades sócio-económicas, factores que são conhecidos como factores de risco para o surgimento destas situações.


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