Conte em decrescente a começar do 10...

Não irei falar da nova temporada do The Good Doctor ou de algum encontro imediato de 3º grau. Mas sim de algo bastante habitual na vida de todos nós, ainda que não seja nada fácil - ser operado. Estou certo que muitos de vocês já tenham sido sujeitos a uma intervenção cirúrgica, mais ou menos aparatosa, com ou sem anestesia geral. Espero que tenha corrido tudo bem e aqueles que estão neste momento a recuperar - as melhoras rápidas. Provavelmente terá sentido alguma ansiedade quando lhe foi comunicado pelo médico de que iria ser necessário uma intervenção cirúrgica. E ainda mais quando se procurou informar um pouco mais via google do que a mesma poderia envolver. Um conselho muito útil - não veja no google e pergunte antes ao cirurgião. Para além da preocupação devido à sua situação de saúde, o facto de pensar que a intervenção cirúrgica envolve algum nível de risco, nomeadamente se houver necessidade de fazer uma anestesia geral, aumenta estes mesmos pensamentos geradores de desconforto emocional. Dependendo da situação clinica para a qual irá ser feita a intervenção, a idade da pessoa (i.e., criança, jovem, adulto, sénior), ou a condição de saúde geral da pessoa (i.e., é alguém já em si com maior vulnerabilidade), há um conjunto de variáveis que influencia a forma como a pessoa irá ter uma maior ou menor adesão a este processo invasivo. Agora imagine que a pessoa tem uma Perturbação do Espectro do Autismo!! As características comuns de se encontrar no autismo relativamente à comunicação verbal e não verbal, é fundamental que a equipa médica que vai intervir possa estar consciente e sensibilizado. Desde a maior dificuldade em conseguir expressar verbalmente o que está a sentir, até ao parecer não estar a tomar atenção ao que lhe é dito. Estas e outras situações precisam de ser enquadras antecipadamente, quando possível. Como tal é fundamental existir um protocolo de intervenção pré-cirúrgico para pessoa autistas. No caso de crianças e jovens autistas, é importante que a equipa médica possa contactar em maior detalhe com os pais ou outros informadores privilegiados em relação à situação especifica da criança. E possa informar acerca de que tipo de estímulos sensoriais causam uma activação na criança. Bem como a utilização de histórias sociais pode ajudar a dessensibilizar para a situação da intervenção cirúrgica, mas também o pré e pós cirúrgico. Uma visita ao local onde vai ocorrer a cirurgia antes da mesma acontecer vai ajudar a pessoa a poder tomar uma maior conscientização para o processo. E se feito atempadamente, ajudará a pessoa autista a poder falar com o seu terapeuta sobre o que sentiu naquele momento e reorganizar em conjunto os pensamentos disfuncionais. A utilização de ansiolítcos orais também deve ser discutido com a equipa médica no sentido de proporcionar uma situação o mais confortável. E no dia da própria intervenção permitir a presença de um cuidador de referência até a anestesia ter tido efeito. E no próprio processo cirúrgico e pós cirúrgico poder reduzir ao máximo a utilização de determinados dispositivos, quando possível, nomeadamente cateter, pensos largos, etc. No pós cirúrgico e no recobro será importante poder avaliar a necessidade da pessoa ficar num quarto isolado e ser reduzido o número de visitas, nomeadamente médicas. Pode parecer demasiados cuidados, mas se você pensar na sua intervenção e por aquilo que passou, certamente haverá de ser sensível a todos estes procedimentos. E todo este processo é fundamental que possa ser realizado em contexto público ou privado. Isto para que não exista nenhuma discriminação adicional. Boa recuperação!!


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