Conta-me uma história e eu dir-te-ei quem és: um espectro de narrativas

Fique tranquilo - não vou anunciar o lançamento de nenhum teste de diagnóstico ultra secreto para saber se a pessoa é autista ou não. Vou procurar contar uma história já repetida nos últimos tempos sobre mais um porquê de as raparigas no espectro serem mais dificeis de detectar.

Quem conta um conto acrescenta um ponto, diz o ditado! E se for um rapaz a contar será diferente de ser uma rapariga? Alguns investigadores apontam para que sim. Rapazes e raparigas com um desenvolvimento tipicamente normativo contam narrativas de maneira especifica ao seu género, incluindo uma diferença significativa nas palavras processadas cognitivamente. Atendendo a que a maioria dos estudos no Espectro do Autismo que têm usados metodologias de narrativa têm usado amostras predominantemente masculinas. É compreensível que os resultados mostrem um processamento da linguagem mais reduzido no Espectro do Autismo. No entanto estes mesmo resultados não deveriam ser generalizados para as raparigas no Espectro.


As competências de narrativa estão relacionadas com o deficit social no Espectro do Autismo. A redução nas palavras acerca dos processos cognitivos (e.g., penso, sei) são pensadas como reflectindo um deficit na cognição social, tal como referido na Teoria da Mente.


Os estudos que têm procurado olhar para esta questão têm chegado a resultados que demonstra que as crianças autistas de ambos os sexos produzem um número maior de nomes que as crianças com um desenvolvimento tipicamente normativo. Não se verifica nenhuma diferença provocada pelo sexo no processamento cognitivo de palavras no grupo normativo. Contudo, as raparigas autistas produzem significativamente mais palavras processadas cognitivamente que os rapazes autistas. E isto não obstante a severidade nos sintomas. Como tal as raparigas autistas mostram um perfil de narrativa único que se sobrepõem aos rapazes autistas e às raparigas/rapazes normativos


Esta diferença não é nova. No ADOS-2, instrumento usado para realizar a observação comportamental da criança, adolescente ou adulto que faz um despiste de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) há um dos testes que passa por ter de se contar uma história a partir de um livro de histórias. Já não é a primeira vez, muito pelo contrário, que na reunião do Núcleo do Espectro do Autismo no PIN se fala acerca desta impressão clínica. De como as raparigas comparativamente aos rapazes apresentam um perfíl diferente neste teste especificamente mas também em outras situações como por exemplo no narrar dos acontecimentos do quotidiano.


Mais uma evidência entre muitas outras das diferenças existentes na expressão comportamental e cognitiva nos rapazes comparativamente às raparigas no espectro do autismo. Mais uma evidência de por que as raparigas continuam a ser menos vezes diagnosticas com PEA e/ou diagnosticadas com outras perturbações. Uma coisa boa nestas histórias é que as podemos contar e recontar por tantos mais que as queira ouvir e com isso poder ajudar a que cada vez mais raparigas e mulheres sejam compreendidas.

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