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Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão

Em saúde mental por vezes acontece haver dúvidas acerca de quem pode fazer o diagnóstico! Pode ser apenas um médico? E se sim, terá de ter alguma especialidade - Neuropediatria, Psiquiatria, etc.? E um psicólogo também pode fazer o diagnóstico? E se for outro profissional de saúde.

Quando os pais procuram uma resposta para tentar compreender o que se passa com o comportamento do seu filho/a por norma dirigem-se ao médico Pediatra. Principalmente se o seu filho/a ainda não tem 18 anos de idade. Alguns pais recorrem primeiro ao médico de Clinica Geral e Familiar para obter algum aconselhamento prévio. E outros recorrem a alguns especialistas da área do comportamento - Neuropediatras, Pedopsiquiatras ou Psicólogos. Quando o seu filho/a tem mais de 18 anos recorrem ao médico de família ou procuram leva-lo à Psiquiatria de adultos ou a uma consulta de Psicologia.


Quando a razão pela qual procuram ajuda prende-se com a necessidade de obter uma avaliação de despiste de uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Ou quando no decorrer de uma consulta obtêm indicação de haver a possibilidade de um diagnóstico de PEA as coisas ficam mais complicadas. Para além da complexidade relacionada com o facto de haver um diagnóstico de PEA no seu filho/a. Há toda a complexidade associada ao processo de avaliação e diagnóstico.


Na minha experiência já ouvi de tudo um pouco - "Os médicos são os únicos a poder fazer um diagnóstico de PEA.", "Os psicólogos são quando sabe fazer um diagnóstico de PEA.", etc. A situação não é de todo clara e em alguns países houve mesmo a necessidade de criar guias de orientação para a realização do diagnóstico de PEA. E nestes guias encontram-se várias orientações do processo, nomeadamente os profissionais envolvidos e que podem fazer o diagnóstico.


Algumas considerações em relação ao assunto. Em primeiro lugar é vital que exista uma avaliação completa e detalhada e que o diagnóstico seja efectuado por um profissional qualificado ou por uma equipa de profissionais que usem os instrumentos de avaliação adequados. Por exemplo, na Australia, um pais que está na dianteira do trabalho realizado no Autismo recomenda que este diagnóstico seja realizado por uma equipa multidisciplinar constituída por Pediatra, Psiquiatra ou Psicólogo Clínico com experiência na avaliação das Perturbações do Espectro do Autismo e que use as orientações da DSM-5. No caso de Inglaterra a situação não é muito diferente e em outros países como Canadá, França, Holanda, etc., o procedimento é semelhante.


Ou seja, a realização do diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado dentro de algumas especialidades já referenciadas. Para além da utilização de instrumentos de avaliação adequados e validados pela comunidade cientifica para a realização deste despiste. É importante lembrar que o diagnóstico de PEA continua a ser um diagnóstico clínico e como tal assente na observação do comportamento.


Em Portugal não existem guias para a orientação deste processo de avaliação e diagnóstico. E como tal pode haver alguma confusão gerada. Por exemplo, dizer-se que apenas os médicos é que podem fazer o diagnóstico porque na Junta Médica ao qual a pessoa necessita de recorrer, ou a Escola da criança/jovem apenas aceita um documento emitido pelo médico. Mas também no caso das Seguradoras é comum haver uma necessidade semelhante. Essas situações podem gerar a ideia de que apenas um médico pode fazer o diagnóstico de Autismo. Tal não corresponde à verdade mas é fundamental poder esclarecer o processo. Os profissionais agradecem e as famílias precisam desta organização num processo já por si dificil e doloroso.

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