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Avó, porque tens os olhos tão grandes?

Mãe, na quinta-feira a escola do Tiago (nome fictício) está fechada, podes ficar com ele?, pergunta o filho. Pai, este ano não vou conseguir tirar férias de verão, os miúdos podem ir passar o mês de férias com vocês à terra?, pergunta a mãe. Estas são exemplos de perguntas muito frequentes nos dias que correm. Estou filho, o meu neto está a dizer que é autista e que aquele abanar de mãos que ele faz é normal. O que é isso de autismo? E como é que o abanar de mãos é normal?, pergunta a avó do Tiago ao seu filho ao telefone. Certamente, que esta última frase não tem por hábito ocorrer. No entanto, procura significar a atenção que precisa de ser dadas a esta questão.


Tem havido inúmeras alterações sociais na família, mas é sabido do papel fundamental dos avós no assegurar de muitas das funções importantes na família relativamente ao assegurar dos muitos cuidados às crianças. Não será somente para isso. Até porque a importância da ligação dos avós e netos sempre foi fundamental.


No entanto, nas famílias com crianças com Perturbação do Espectro do Autismo, as exigências do quotidiano são muitas e diversas. E os avós providenciam um conjunto de apoios emocional, instrumental e financeiro.


No entanto, os avós também podem enfrentar múltiplos e variados desafios relacionados ao seu papel como avós de uma criança com uma perturbação do neurodesenvolvimento. Eles podem experimentar uma variedade de sentimentos e emoções confusos quando seu neto é diagnosticado com uma Perturbação do Espectro do Autismo. Por um lado, eles podem sentir muita felicidade por um filho que entrou em sua família; por outro lado, eles podem experimentar uma dor dupla ou mesmo uma dor tripla - por seu próprio filho adulto, pelo neto e sua própria tristeza com sentimentos de culpa e injustiça.


Mãe, não podes estar sempre a deixar o Tiago fazer tudo aquilo que lhe apetece, diz o filho. Ela não pode comer tantos croissants, pai. É um dos muitos interesses da Matilde (nome fictício) e por isso ela está sempre a pedir para comer, diz a filha.


Os avós também podem sentir gratidão pelo facto do seu neto ter recebido um diagnóstico e o apoio adequado. Além disso, muitos avós mostram a sua prontidão e disposição para ficar ao lado e dispensar aos seus filhos adultos os cuidados diários com as crianças pequenas.


Contudo, as crianças autistas, ou pelo menos algumas, apresentam comportamentos desafiadores e reactivos mais agressivos. E os avós, para além de muitos de nós, sentem dificuldade em saber como melhor lidar com estas situações de uma forma adequada. E como tal, é fundamental que os profissionais de saúde que acompanham crianças autistas possam ter em conta de uma forma abrangente as dinâmicas familiares e os diversos familiares que intervêm numa base regular com estas crianças. Até para os poder envolver no processo de intervenção e poder ajudar a compreender as necessidades nas respostas às diversas situações verificadas. Podemos sempre pensar que os pais das crianças autistas, as pessoas com quem mais frequentemente trabalhamos podem fazer essa explicação. No entanto, seja porque são pessoas que ainda estão a procurar compreender as estratégias que estão a ser ensaiadas. Mas também porque vão ser outras pessoas a dizerem aquilo que pensam ter ouvido da explicação do profissional de saúde. É importante poder envolver directamente os avós neste processo. Uma coisa é dizer ao avós que é para dar uma colher de sopa de xarope. Outra coisa é dizer como é que devem reagir quando o Tiago faz uma birra. E certamente dar o Telemovel para o ajudar a regular não é certamente a melhor estratégia.


Para além disso, é importante pensarmos que os avós pertencem a uma outra geração. E esta informação acerca das Perturbações do Neurodesenvolvimento e do Autismo especificamente eram ainda mais desconhecidas. E a leitura de alguns dos comportamentos observados podem ser feitos em termos morais e não funcionais.


E atendendo às etapas precoces em que estas crianças se encontram e à importância do trabalho a realizar com elas e a qualidade do tempo com que passamos com elas. Sabendo de antemão que os avós vão passar um período de tempo grande ao longo do dia e do tempo. Quantas vezes ouvimos os pais a dizerem que ao fim de alguns meses depois do seu filho ter entrado na Creche tiveram de o tirar de lá porque as coisas não estavam a funcionar. Ou porque ficava os dias inteiros a chorar, ou então porque não conseguiam que ele comesse nada, ou aparecia todo mordido em casa ou o inverso, etc. E durante os primeiros 5-6 anos de vida estas crianças podem passar um período fundamental em termos desenvolvimental com os avós. E sem dúvida que o brincar é fundamental enquanto ferramenta de aprendizagem. E como tal é fundamental poder ajudar os avós a como organizar as brincadeiras, assim como outras actividades. E muitos poderão ter exemplos práticos de que dizer aos avós como é que devem brincar com os netos é como chover no molhado. Ou seja, muito rapidamente nos arriscamos a ouvir - Eu criei três filhos e agora queres ensinar-me a brincar com os meus netos?!


Da mesma forma que ao longo deste tempo se tem vindo a pensar na construção de programas de sensibilização e formação para os pais, nomeadamente em trabalhar competências parentais na intervenção com crianças autistas. Também será fundamental que isso possa ser tido em conta para os avós.


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