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Autismo rima com feminino

Em 1943 o Dr. Leo Kanner publicava o seu artigo sobre o autismo Autistic Disturbances of Affective Contact. Mas também apenas em 1943 é que foi aprovada a Consolidação das Leis de Trabalho, e as mulheres passaram a ser contempladas nas suas necessidades. Mas o que é que estas duas efemérides podem ter a ver uma com a outra?


Hoje celebra-se o Dia Internacional da Mulher sob a égide do tema #inspireinclusion. E aqui no Autismo n'Adulto falamos do Autismo no feminino.


Apesar de ouvirmos falar do inicio do autismo em 1943 pelas mãos do Dr. Leo Kanner e do Dr. Hans Asperger. Mas na verdade o autismo começou com a Dra. Grunya Sukhareva. Mas pouco ou nada sabemos desta médica e do seu trabalho de investigação e clinico com grupos de crianças com diagnóstico de autismo. E que na verdade vai em quase tudo ao encontro dos trabalhos realizados por os outros dois médicos.


Em 1940, quando os investigadores e clínicos começaram este trabalho, os grupos de crianças que estavam a ser observadas, avaliadas e acompanhadas era maioritariamente do sexo masculino, mas também haviam raparigas. No caso do Dr. Leo Kanner eram 8 rapazes e 3 raparigas. Os números eram semelhantes quer para o Dr. Hans Asperger, assim como para a Dra. Grunya Sukhareva. Contudo, desde essa altura até ao presente momento, os rapazes foram sendo olhados como sendo aqueles em que fazia mais sentido pensar quando se investigava ou pensava no autismo. E assim foi sendo durante muito tempo, em que os estudos de investigação tinham principalmente participantes do sexo masculino. E os próprios instrumentos de avaliação para o diagnóstico, assim como os critérios de diagnóstico parecem mais ancorados naquilo que é o perfil de funcionamento do autismo nos rapazes/homens. E esta questão é assim para as questões do autismo no feminino, tal como para o autismo no adulto como um todo. Em que já nessa altura eram feitas descrições sobre os pais dessas mesmas crianças como apresentando elas próprias algumas características mais atípicas e semelhantes aos dos filhos, ainda que tivessem mais competências.


Mas nos últimos 15 anos tem havido um esforço crescente para se incluir as raparigas/mulheres e o seu perfil de funcionamento e fenótipo comportamental nos estudos científicos, na publicação cientifica, e nas acções de formação, sensibilização e informação que são feitas.


Inclusive temos assistido com grande contentamento o próprio envolvimento das mulheres autistas neste processo, seja enquanto investigadoras, clinicas ou como cidadãs com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo e que participam na partilha da sua experiência/vivência do autismo junto da Sociedade.


Voltando ao mote do dia internacional da mulher deste ano #inspireinclusion, é fundamental poder trazer para a frente as mulheres que vivem o autismo, seja enquanto profissionais de saúde, cientistas ou pessoas autistas. Posso sublinhar a importância que as minhas colegas da PIN Partners in Neuroscience tiverem e têm para mim, seja no que diz respeito em relação ao autismo e depois mais especificamente em relação ao autismo no feminino. Mas também todas as clientes que vou recebendo e que me vão ensinando todos os dias sobre o autismo e o que é o autismo no feminino.


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