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Autismo remoto

A 20 de junho de 1969 o Homem chegou à Lua. E ao fim de 52 anos ainda continuam a ser referidas teorias da conspiração acerca desta realidade. Desde a bandeira não devia ter tremido ao foi tudo gravado em estúdio, foram várias as ideias. Ao longo destes anos todos também tem havido algumas ideias continuamente repetidas em relação ao autismo. Desde o facto de não gostarem ou terem relações sociais, casarem e terem filhos, até ao conseguirem assegurar as responsabilidades no local de trabalho, entre outras. E tal como no caso da ida à Lua, também no autismo são várias as provas que contradizem muitas destas ideias, mais ainda assim parece que algumas pessoas insistem nesta visão. E tudo isto porquê? Ao longo deste último ano muito se tem falado em teletrabalho. E ainda que alguns tenham pensado nisso como uma inovação trazida pela pandemia, há muito que este conceito já existe e vai sendo usado. O facto de termos sido quase todos empurrados em massa para esta modalidade levou a que houvesse um maior número de hipóteses para a integração de várias pessoas que em outras circunstâncias poderia demorar mais tempo a ser equacionado. Sejam pessoas mas também diferentes sectores, assistimos todos a um florescer da resposta do teletrabalho. E ao longo deste ano foram várias as pessoas que foram expressando as suas ideias e sentir em relação a estarem nesta modalidade. Numa grande maioria as pessoas foram referindo que não estão talhadas para trabalhar desta forma. Ainda que reconheçam todo um conjunto de benefícios na conservação do seu posto de trabalho, sentem que estar afastados do contacto presencial com os seus colegas ou não cumprirem todo um conjunto de rotinas tem sido prejudicial. Ainda que em Portugal a contratação de pessoas autistas ainda esteja distante da realidade de outros países, nomeadamente Reino Unido ou Australia. São muitas as empresas que nestes países tem olhado para a possibilidade de contratação de pessoas autistas para esta modalidade de teletrabalho quando comparado com pessoas não autistas. E se por um lado são muitos aqueles que sabem que navegar em determinados locais de trabalho é difícil para muitas pessoas autistas. Também é verdade que muitos ficaram a saber que o teletrabalho é de mais difícil adaptação para pessoas não autistas. Estas afirmações não devem ser lidas de forma estanque e universal. Mas o certo é que são muitos aqueles adultos autistas e que se encontram em regime de teletrabalho que tenho ouvido dizer que este último ano tem sido vivido de forma bastante positiva comparativamente aos anos anteriores. Apesar de começarmos a assistir em Portugal a um inicio da contratação de pessoas autistas, também é verdade que continuam a ser muitos os contextos e ambientes de trabalho que não se encontram suficientemente adequados e preparados para que pessoas neurodivergentes se possam sentir melhor acolhidos. No caso das pessoas autistas, sejam os open space ou o ruído desconcertante ao longo do dia de trabalho. A luminosidade mais intensa, as reuniões constantes e que nem sempre se consegue perceber a funcionalidade de alguma da informação trocada, etc. São várias as situações que podem ser equacionadas como causando constrangimentos diversos na vida de uma pessoa autista. E que agora e ao longo deste último ano, principalmente depois de ultrapassado o processo de adaptação, o terem vindo para casa trabalhar foi sentido por muitos como uma mais valia e que esperam que possa continuar mesmo depois de toda esta situação pandémica. Seja neste ou em outro aspecto, parece-me fundamental que esta situação pandémica nos possa ajudar a todos a reflectir sobre a importância da integração da pessoa autista nos locais de trabalho, assim como todas as outras pessoas neurodivergentes. Tal como Neil Armstrong o disse em 20 de junho de 1969, "É um pequeno passo para o Homem, e um salto gigantesco para a Humanidade". Eu concordo inteiramente com ele, seja em 1969 com a ida à Lua, mas também no presente momento com o abraçar da neurodiversidade no local de trabalho.


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