Abecedário das gerações

Qualquer um de nós se consegue ver integrado numa determinada geração. Seja pela data de nascimento ou qualquer outra característica com que se identifique. Eu sou da geração X (pessoas nascidas entre 1965 e 1979). Mas há outras gerações, "Baby Boomers", Millenial e Z. Mas gostava de vos falar da Geração A, de autismo (Perturbação do Espectro do Autismo). É que na próxima década haverá cerca de 1,5 milhões de pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo que irão atingir a idade adulta. Se pensarmos que para além da idade haverá outras características distintivas das várias gerações. Há indicadores que quando os sabemos para além de preocupantes não nos podem deixar de braços cruzados e não querer participar da mudança. Porque ela diz respeito a todos nós.

Se pensarmos nos indicadores que são mais frequentemente analisados para determinar que uma pessoa se encontra na vida adulta, podemos pensar na empregabilidade, autonomia, vida independente, etc. O facto da pessoa ter um relacionamento ou não, filhos, ou ainda viver em casa dos pais, pode já não servir para enquadrar uma pessoa na vida adulta. As pessoas estão a sair cada vez mais tarde de casa dos pais ou a terem filhos, sejam homens ou mulheres.


Para além de um conjunto de indicadores psicossociais importantes de analisar penso nos dados encontrados nos jovens adultos com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e do quanto importante é que a sua situação possa ser revertida. Não apenas pelo número de pessoas que irá atingir brevemente a maioridade e que continuará a ter um conjunto de dificuldades incapacitantes, havendo respostas na intervenção para mudar o rumo da situação. Mas também por todo um conjunto de dados acerca do sofrimento encontrado nesta população. O número de perturbações psiquiátricas associadas à Perturbação do Espectro do Autismo no adulto é grande e comprometedor.


Os números que encontramos na realidade das pessoas adultas com PEA é assustador. As pessoas que não terminam os seus estudos e que inclusive não prosseguem os mesmos para o Ensino Superior é significativo. Já para não falar das pessoas que encontram inúmeras dificuldades na integração no mercado de trabalho. Estes dois factores por si só acabam por dar uma noção do impacto observado ao longo da vida da pessoa na sua autonomia e independência. Não sendo capaz de se sustentar acaba por aumentar o seu nível de dependência face aos cuidadores, normalmente os pais.


Para além destes números preocupantes penso que há um conjunto de mudanças simples na sua natureza e que sendo implementadas poderiam ajudar a reverter este cenário. Desde a continuidade dos apoios verificados no ensino obrigatório para o Ensino Superior ou outras medidas protectivas facilitariam a continuidade do processo de formação. Isto porque a legislação para o emprego protegido já existe ainda que apenas seja aplicada em determinadas situações (Incapacidade igual ou superior a 60%) e muitos casos de PEA nível 1 não se vejam enquadrados nestes diplomas. Mas principalmente a maior e mais aguardada mudança, aquela que penso ser simples na sua natureza, é a aceitação da neurodiversidade como uma realidade. Ou seja, todos nós apresentamos um perfil com determinadas características que nos diferencia e isso não traduz nada de errado apenas diferente.

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