É um pássaro? É um avião? Não, é um psicólogo!

Fazer terapia é difícil para todos. Mas até o super-homem sente que precisa e beneficia desse acompanhamento. A resistência na ida ao psicólogo é comum. Dependendo das idades dos clientes encontramos razões diferentes.

Por vezes recebo um e-mail às 08h30 a dizer que o filho/a não irá à consulta que estava agendada há uma semana. Os pais acrescentam que não conseguem convencer ou até mesmo demover a ir à consulta. Por vezes perguntam se podem ir eles até para saber como podem ajudar o seu filho/a. A situação ocorre com alguma frequência com adolescentes, mas também com crianças e até mesmo adultos. Neste último caso o esposo/a pergunta se pode saber como convencer o seu parceiro/a da necessidade de acompanhamento. Ou de pais de adultos com PEA e em que os filhos ainda vivem consigo.


Os meus clientes são jovens e adultos com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e também aqui acontece com a devida frequência estes episódios. A minha filha não reconhece que tenha um problema! Por vezes é o filho que diz que não é maluco e não precisa de ir ao psicólogo! Ou então, a filha diz que não tem nada de dizer coisas pessoais a alguém que nem sequer conhece! Os exemplos poderiam continuar. Confesso que a grande maioria de situações que me tem ocorrido com clientes com PEA é relativo à dificuldade em compreender a existência de dificuldades. Alguns deles apresentam um perfil cognitivo médio ou superior e são alunos que apresentam bons resultados. Outros porque apesar de terem algumas pequenas dificuldades académicas não apresentam problemas comportamentais tão evidentes (e.g., baterem em colegas, faltas de respeito a professores, etc.). Outros pensam sobre a importância da sua vida pessoal e social de uma forma particular e como tal não equacionam um problema o facto de não terem relações sociais com os pares ou amizades.


Ir à terapia é difícil o suficiente para os adultos. O estigma relativo à saúde mental impede que muitos pegue no telefone e marque uma consulta. Além disso, a terapia é um trabalho árduo. Geralmente, isso exige revelar as nossas vulnerabilidades, investigar desafios difíceis, mudar padrões de comportamento não saudáveis ​​e aprender novas competências.

Por isso, não surpreende que as crianças também não queiram ir. Essa resistência só aumenta quando não entendem como a terapia funciona. São muitas as crianças que têm medo ou ficam nervosas de ir à terapia, especialmente se tiverem a crença de que estão com problemas ou porque são más. Acredita erroneamente que estão a ir a um consultório médico para levarem uma injecção ou um qualquer outro procedimento mais indesejável.

Então, como é que se pode envolver o seu filho na terapia quando esse é o último lugar que ele quer ser? O que funciona? O que não devemos fazer?


Uma questão que deve ser alterada é o levar os filhos à terapia sem lhes dizer onde é que eles estão a ir. Por vezes os próprios pais não têm bem esclarecido essa informação para si próprios. Como tal será importante um primeiro contacto por parte dos pais com o profissional para saber melhor acerca do processo. E em seguida será importante poder transmitir com segurança e confiança essa informação aos filhos. Por vezes o anúncio é feito no próprio caminho para a consulta de terapia e não há tempo para o filho colocar as questões necessárias ou até mesmo expressar a sua preocupação.


Outro grande erro passa por envergonhar ou culpar os sintomas de seus filhos. Ou quando os próprios pais apresentam alguma dificuldade em estabelecer comunicação com o profissional.


Seja honesto sobre por que você quer que seu filho frequente a terapia. Converse com seu filho sobre porque a terapia poderá ser útil e por que você quer que ele vá, independentemente da idade.


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