É preciso identificar. Mas é fundamental esclarecer!

A identificação da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) nos adultos é mais difícil. Seja porque a forma como as suas características se apresentam difere da ideia geral do que é o autismo. Mas também porque os instrumentos de rastreio de auto-preenchimento se baseiam em grande parte nos critérios de diagnóstico dos manuais. E por vezes esta questão leva a que algumas pessoas possam não se identificar quando preenchem estes questionários. Para além das questões metodológicas na construção destes instrumentos e da reflexão acerca dos critérios de diagnóstico da PEA, é fundamental informar e sensibilizar a Sociedade.

Cada vez mais tenho recebido pessoas em consulta que referem ter preenchido mais do que um questionário, normalmente online, e que lhe indicava que as suas respostas apontavam para um diagnóstico de autismo. Esta "moda" dos questionários e dos quizz não é novidade e são usados em vários domínios e não apenas na psicologia. Talvez porque parece interessante poder responder a algumas perguntas e no fim dizerem-nos o que se passa connosco. Ou porque é mais cómodo e tem menos dispêndio de tempo. Independentemente destas razões, os instrumentos de rastreio têm sido fundamentais para encaminhar mais rapidamente as pessoas para os serviços competentes. E no caso do autismo nos adultos essa questão é fundamental, até porque o número de adultos identificados com PEA está muito aquém da realidade.


No final de 2018 iniciamos a recolha de dados online [clicar aqui - https://forms.gle/HdfPMHBwH35c24ns9] através do Questionário doo Quociente do Espectro Autista (versão adultos). Este ainda se encontra activo, até porque também tem servido para que outras pessoas tenham descoberto a partir do seu preenchimento que as suas suspeitas tinham uma fundamentação. Ou seja, pessoas que suspeitavam ter uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), após terem preenchido o questionário e terem recebido feedback de que seria necessário fazer uma avaliação mais detalhada, tomaram conhecimento de que o seu diagnóstico é esse mesmo.


A partir desse momento passaram a ter a possibilidade de compreenderem melhor o que se passou consigo e na relação com os outros e com o mundo no passado. Mas também como é que podem continuar a fazer o seu percurso de vida de uma forma diferente e adaptada a esta condição que sempre tiveram mas que apenas agora a conseguem compreender.


No entanto, e apesar do Questionário do Quociente do Espectro Autista ser um instrumento fiável para rastrear as características presentes numa Perturbação do Espectro do Autismo. E este mesmo questionário comparativamente a um conjunto de outros existentes para o efeito é aquele que apresenta maior fiabilidade. Ainda assim, é importante que o mesmo e os resultados do seu preenchimento possam ser observados com cautela. Em primeiro lugar é importante sublinhar que o questionário em questão, ou qualquer outro usado em psicologia, não deve ser usado de forma isolada. Ou seja, este Questionário do Quociente do Espectro Autista deverá ser usado em conjunto com a observação do próprio por um profissional capacitado, seja psicólogo ou médico.


Até porque nos adultos que irão preencher este questionário com a suspeita de que podem ter uma PEA é de chamar a atenção para a grande probabilidade de apresentarem outras perturbações psiquiátricas em conjunto. E esse conjunto de diagnósticos, designado de comorbilidades psiquiátricas, vai culminar numa amalgama de traços comportamentais e que muitos deles se sobrepõem.


Ainda assim, se olharmos para a imagem que serve de apoio neste post, retirada do Questionário do Quociente do Espectro Autista [clicar aqui - https://forms.gle/HdfPMHBwH35c24ns9] é interessante pensar nas respostas dos 1653 participantes (maioritariamente do sexo feminino) em resposta à questão se algum familiar seu está a realizar uma avaliação de despiste de perturbação do desenvolvimento. 41,9% (681 pessoas) respondem que sim. Ou seja, 681 pessoas têm um familiar seu a realizar um despiste de PEA (na quase totalidade). Se pensarmos que na Perturbação do Espectro do Autismo há uma percentagem explicada pelos factores genéticos. Podemos pensar que um determinado número das pessoas que responderam afirmativamente à questão também poderão apresentar, senão um diagnóstico igual ou outro diagnóstico psiquiátrico. Pelo menos apresentarão alguns traços comportamentais compatíveis e certamente algumas dificuldades causadoras de mal estar psicológico.

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