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À espera a ver as árvores crescerem

Quando alguém nos diz - Tens de ir ao médico ver isso! Procuramos dentro das nossas possibilidades agendar uma consulta para dar resposta a essa questão. Já é comum ouvirmos falar de tempos de espera maior para certas especialidades. Mas e no caso do Autismo? E no caso do Autismo nos adultos?

No site - http://tempos.min-saude.pt/#/instituicoes conseguimos procurar por Hospital de referência o tempo de espera para a consulta que necessitamos. Por exemplo, no Hospital Garcia de Orta o tempo médio de espera para uma consulta de Psiquiatria Geral é de 61 dias, ou seja, 2 meses.

Cada um terá a sua experiência. Por exemplo, quando há 2 anos procurei agendar uma consulta de oftalmologia no mesmo hospital disseram-me que teria de esperar cerca de 2 anos. Não, não foi erro ao escrever. Não é 2 meses. É 2 anos. Quando consultamos este mesmo site para a consulta de oftalmologia dizem que o tempo de espera é de 214 dias, isto é, cerca de 10 meses. Ou seja, parece que as coisas têm estado a melhorar nos últimos tempos.


Experiências pessoais à parte. Quanto tempo é que uma pessoa adulta que suspeite que possa ter uma Perturbação do Espectro do Autismo demora a ter uma resposta para a sua situação? E qual o procedimento normativo a seguir nestes casos?


A maneira mais rápida da pessoa ter essa resposta é entrar em contacto comigo através do endereço de e-mail - pedro.rodrigues@pin.com.pt e poder solicitar uma marcação de consulta. A questão é que a grande maioria das pessoas não têm a possibilidade de pagar uma ou mais consultas no sistema privado de saúde. Por isso, a solução fornecida pela minha pessoa fica aquém do necessário para todos eles e elas.


Outra maneira passa pela marcação de uma consulta no médico de Clínica Geral e Familiar. Para além das dificuldades sobejamente faladas da escassez de especialistas desta área ou do tempo de espera para marcação nos Centros de Saúde, há outras questões. A pessoa adulta dirige-se ao seu médico e reporta as suas dificuldades sentidas. Se a suspeita se vier a confirmar - ou seja, a pessoa tem mesmo uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). Na grande maioria das vezes, o próprio/a não solicita o apoio. Seja nas situações em que se verifica uma maior funcionalidade, como na PEA (nível 1), também designada de Síndrome de Asperger. E ainda mais nas situações em que há um maior agravamento das características e sintomas. A família nuclear (pais) continua a ser aqueles que continuam a solicitar o apoio, por vezes até contra a vontade dos próprios filhos/as. Entre outras razões, porque estes podem não reconhecer essas mesmas dificuldades. Mas vamos partir do princípio que o próprio ou os pais conseguem marcar consulta no Centro de Saúde e reportam as dificuldades existentes. Como é que será dado encaminhamento à situação?


Os exemplos que irei dar são isso mesmo, exemplos. Ainda que estejam próximos daquilo que é a realidade dos adultos com PEA. Para além disso quero dizer que há casos de PEA em homens e mulheres, ainda que algumas características possam ser diferentes. Tal como entre homens com PEA podemos encontrar características diferentes e o mesmo se aplicar nas mulheres. Por isso, convido-os a ler os exemplos no masculino ou no feminino independentemente de como estão escritos.


O nosso filho tem dificuldades em sair de casa. Ele tem 26 anos e tem o curso de Direito, mas também não consegue encontrar emprego. Ele nem tenta, nem procura. Está sempre em casa a jogar ou a ler. Fica horas fechado no quarto. Ou então, o nosso filho tem 38 anos e agora que se divorciou viu-se obrigado a vir novamente viver connosco. De repente deixou de conseguir fazer todas as coisas. Deixou de trabalhar, de conviver com os poucos amigos com quem ia estando. O nosso filho de 42 anos não consegue aguentar um emprego. Parece haver sempre alguma coisa errada. Ou com as pessoas, ou com as tarefas, ou ambos. Ele sempre foi assim, mesmo com os colegas na escola, sempre muito selectivo. Há muitos mais exemplos e mais diversificados. Até porque nas pessoas adultas com suspeita de PEA é comum encontrarmos queixas e sintomas de outras perturbações - Ansiedade, Depressão, Obsessivo-compulsiva, etc.


Como é que será que estas queixas irão ser encaminhadas a partir do Centro de Saúde? Poderão ser diagnosticadas neste serviço e inclusive virem a ser medicadas para alguns dos seus sintomas. Mas será que serão entendidos como podendo ter uma PEA? Serão encaminhados para algum tipo de avaliação? Mas vamos partir do principio que são encaminhados para um serviço de Psiquiatria Geral. Para além dos 61 dias, no caso do Hospital Garcia de Orta, a somar ao tempo de espera no Centro de Saúde. O que será que acontece neste serviço de especialidade? Vamos partir do princípio que os profissionais nesta linha estarão mais sensibilizados para o Espectro do Autismo no adulto. Mas também é certo que continuo (e não sou o único) a receber adultos com outros diagnósticos que não PEA e que fizeram acompanhamentos psiquiátricos e psicológicos durante anos, mas sem que ninguém lhes tenham dito que têm PEA.


Não sabemos ao certo de quantos adultos com PEA é que estamos a falar na realidade nacional! Não temos noção dos procedimentos a serem realizados nestas situações no SNS! À semelhança de outros países que face à especificidade do Autismo, nomeadamente no adulto, têm procedimentos específicos para a referenciação destes casos, seja para o processo de avaliação/diagnóstico mas também no acompanhamento. Claro que há psicólogos, psiquiatras e médicos que têm conhecimento do que é o Autismo e mais precisamente no adulto. Será poucos, mas existem. Mas a questão é qu enão há uma resposta concertada e não há uma resposta para a grande maioria das situações, nomeadamente para as pessoas que continuam a recorrer ao SNS, seja por opção mas também por não terem outras condições.

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